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Cinema
Morrem Bergman e Antonioni
Reprodução

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| Cena de Morangos Silvestres, do sueco Ingmar Bergman |
Como a Sétima Arte está a cada dia mais mercado e menos arte, raras serão as oportunidades futuras que o amante do cinema terá de se deparar com obras-primas como O sétimo selo (1957), Morangos silvestres (1957) e Fanny e Alexander (1982), do diretor sueco Ingmar Bergman, que morreu na segunda-feira, 30, aos 89 anos.
Ou como A noite (1960), O Eclipse (1962) ou Passageiro profissão repórter (1975), do italiano Michelangelo Antonioni, morto no mesmo dia, aos 94.
São dois homens de uma espécie em extinção, que no século XX faziam o chamado cinema de autor, um cinema cuja motivação é o pensamento, e não a margem de lucro, os interesses das megaprodutoras.
Antonioni era identificado com o marxismo, embora alguns críticos contestassem essa identificação, já que a burguesia era tema recorrente de seus filmes. Mas uma burguesia amarga, decadente, angustiada, assolada pelas dúvidas.
Já Bergman é mais difícil de ser enquadrado. Filho de um protestante violento de quem apanhava na infância, o sueco abordava a morte, as angústias da sexualidade e do casamento e outras questões que tangenciam a metafísica, sob uma ótica existencialista. Não há como sair imune de um filme de Bergman, mesmo que com repulsa e desconforto.
Felizmente, nas boas locadoras, as obras de ambos os cineastas ainda podem ser encontradas. (Eduardo Maretti)
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