Opinião

Editorial

Cansei do quê?

O movimento “Cansei” não deixa claro qual o seu objetivo, mas as adesões são reveladoras. Começa por João Dória Júnior, arrecadador de fundos para a derrotada campanha de Geraldo Alckmin, passa por grandes empresários, pelo marqueteiro do PSDB Nizan Guanaes, pela OAB paulista – que queria o impeachment de Lula no ano passado – e chega aos artistas “cansados” Hebe Camargo, sua amiga Ivete Sangalo, Ana Maria Braga e Regina Duarte, que, ao que parece, ainda está com medo.
Nasceu sob o pretexto oportunista de uma tragédia que matou 199 pessoas, quando a mídia ainda tentava provar que a crise aérea (o governo Lula) tinha causado o acidente. Quem aderiu não fala claramente em público, mas “cansou” de coisas como ter um presidente nordestino, de pagar impostos que vão se converter em benefícios como o bolsa-família (para os nordestinos!), de ver a Polícia Federal prender os corruptos de terno e gravata; cansou dos erros gramaticais do Lula, da perda de influência da mídia.
Eles têm medo de não voltar ao poder tão cedo, já que percebem a falta de um projeto alternativo por parte da oposição. Não acreditam que a popularidade do presidente continua inabalada.
Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a oposição gritou “Fora FHC”. Os motivos eram listados um a um. A maioria condenava o modelo neoliberal.
Agora, o “Cansei”, assim como a oposição política, não diz o que quer do país. Ou tem vergonha de dizer. Conclui-se então que os motivos do cansaço são mesmo os preconceituosos listados acima.

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