Opinião

Editorial

A Vale era nossa

Movimentos sociais e sindicais, apoiados por setores progressistas da igreja católica e centrais sindicais, organizam para a semana entre 1° e 9 de setembro, o plebiscito popular pela anulação da privatização da Companhia Vale do Rio Doce.
A mobilização, conhecida como “A Vale é nossa”, questiona a legitimidade da venda, pelo governo Fernando Henrique Cardoso, de um patrimônio nacional de valor inestimável.
Evidentemente, a tarefa dos organizadores é inglória, uma vez que anular um negócio desse porte envolve interesses financeiros e políticos gigantescos, nacionais e internacionais.
De qualquer maneira, o movimento é didático. Quando foi vendida, a CVRD era a maior produtora de ferro do planeta e a segunda maior mineradora do mundo. A companhia, detentora de reservas minerais do solo brasileiro cujo valor sequer pode ser medido, foi “vendida” por R$ 3,3 bilhões.
Para o leitor ter uma medida da graça concedida por FHC aos compradores, só no ano anterior à conclusão do negócio a Vale lucrou R$ 13,4 bilhões: apenas o lucro da empresa (sem contar o patrimônio) era quatro vezes maior do que o valor da venda.
Para conseguir tal façanha, FHC usou o rolo compressor liderado por PSDB e PFL no Congresso e conseguiu mudar a Lei das S/A, pois ela inviabilizaria a negociata. Hoje, o lucro anual da CVRD é superior a R$ 70 bilhões.
O movimento “A Vale é nossa” se dá dez anos depois desse episódio sinistro da história brasileira, do qual não podemos esquecer.

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