São Paulo

Educação

Professores e alunos criticam
plano do governo Serra

Robson Martins/APEOESP

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O presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro, durante assembléia de professores em São Paulo

AApós anos de queda na qualidade do ensino (segundo mostram os resultados de avaliações como o Enem), o governo tucano de São Paulo lançou na segunda-feira, 20, um plano com dez medidas a serem implantadas até 2010. Professores e alunos criticam o plano.
Entre as metas: alfabetizar todas as crianças de oito anos, reduzir os índices de reprovação e o ciclo de progressão continuada de quatro para dois anos.
Chama a atenção a proposta de avaliação das escolas: aquelas que, segundo o governo, demonstrarem evolução positiva, receberão remuneração adicional que beneficiará os seus funcionários (diretor, supervisor, professores, pessoal administrativo). Os professores não gostaram e devem entrar em greve nesta sexta-feira, 24, por plano de carreira e melhores salários.
O Sindicato dos Professores do Estado (Apeoesp) rejeita a premiação por desempenho. “A luta é por reajuste salarial e não política de bonificação”, diz o presidente, Carlos Ramiro. O piso do professor no estado é R$ 668,00 e a categoria luta pelo piso do Dieese, de R$ 1.688,00, e plano de carreira. “Todo trabalhador tem que ter um salário digno. Ao invés de reajustar os salários, eles trabalham com premiações, o que não deu certo nos últimos 12 anos”.
Ramiro critica também o conceito de política de progressão continuada inspirada no sistema dos Estados Unidos e da Inglaterra, segundo o governo Serra. “Lá, dá resultado porque o professor é valorizado, há investimentos e os alunos passam mais tempo na escola. Como implantar esse sistema em salas de 40 ou 50 alunos e sem estrutura nenhuma?”
Secundaristas
Para o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, Thiago Andrade, a proposta de Serra é falha, porque não estabelece “um começo, um meio e um fim, como deve ser um plano”. Ele diz que falta diálogo: “A comunidade estudantil não foi chamada a participar da formulação. Além disso, não se leva em consideração as escolas que têm baixo desempenho, justamente as que mais precisam de apoio”, critica.

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