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Pesquisa
Segundo IBGE, brancos gastam
81,7% a mais que os negros
Eduardo Metroviche

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| Em todo o Brasil, favelas são o retrato da imensa desigualdade que diminui, mas ainda reina no país |
Um levantamento do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na quarta-feira, 29, mostra que as despesas de 5 milhões de famílias com renda mais elevada (igual ou superior a R$ 3.875,78) do país são dez vezes maiores do que os gastos de 20 milhões de famílias mais pobres (renda de até R$ 758,25).
A pesquisa traz dados relevantes que mostram que a desigualdade tem um aspecto nitidamente racial: a despesa média mensal das famílias onde a pessoa de referência é branca foi de R$ 2.262,24, 25% superior à média nacional (R$ 1.794,32). Naquelas onde o chefe era preto, de R$ 1.245,09, e pardo de R$ 1.232,62. Os brancos, portanto, gastam 81,7% a mais que os negros, ou quase o dobro.
O estudo foi baseado na Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, que traça um perfil das despesas e rendimento segundo características das pessoas, tais como inserção no mercado de trabalho, escolaridade, idade, sexo, cor e raça e religião.
De acordo com a pesquisa, 10% das famílias com renda mais elevada tinha, em 2003, despesa per capita mensal de R$ 1.800,00, enquanto 40% das famílias com rendimentos mais baixos gastava R$ 180,00.
A região Nordeste apresentou a maior desigualdade. Lá, os ricos gastam 11,8 vezes mais que os pobres. O estado de Alagoas lidera o ranking de desigualdade.
O estudo também mostrou que a habitação é o setor no qual as famílias mais gastam (35,5% do total), seguido de alimentação (20,75%), transporte (18,44%), assistência à saúde (6,49%) e educação (4,08%). Famílias com responsáveis de onze ou mais anos de estudo apresentavam renda mais elevada (R$ 3.796,00), enquanto com menos de um ano de instrução recebiam cinco vezes menos (R$ 752,00).
Desigualdade e pobreza diminuem
Na quarta-feira também foi lançada a terceira edição do relatório de acompanhamento dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas (ONU).
Baseado em dados do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o relatório mostra que o Brasil já alcançou a meta da ONU, fixada no ano 2000, de reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população com renda inferior a um dólar por dia, considerado índice de extrema pobreza.
O número de brasileiros vivendo nesta situação caiu de 8,8% para 4,2%. Usando como parâmetro o salário mínimo, a taxa de pobreza extrema caiu de 28% para 16% da população e a de pobreza, de 52% para 38%.
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