Opinião

Editorial

Descrença na Justiça

Qualquer pesquisa informal, que uma pessoa comum pode fazer nos lugares onde o povo transita neste país, revela que o Judiciário brasileiro, o Executivo, os parlamentos e a grande imprensa (o chamado quarto poder) gozam de credibilidade cada vez menor.
Especificamente sobre a Justiça, a pergunta feita pela reportagem para a seção Visão do Leitor desta semana (página 5), “Você acredita no Judiciário do Brasil?”, dá uma amostra dessa realidade.
“Justiça só existe para pobre. O dinheiro paga tudo”, disse um dos entrevistados. “A Justiça só é posta em prática quando lida com a população humilde”, discorreu outro. Essa é uma visão comum do cidadão sobre nosso Judiciário – que, no Estado conceituado pela Constituição de 1988, é um dos três pilares da República (os outros dois são o Executivo e o Legislativo).
Sem contar a revolta e o descrédito preocupantes – pois sem instituições fortes a democracia é fraca –, o brasileiro, de modo geral, confunde as atribuições dos Três Poderes. É normal, por exemplo, ouvirmos dizer que, hoje, a Justiça funciona melhor porque a Polícia Federal está mais atuante, quando se sabe que a PF é um órgão subordinado ao Ministério da Justiça, e portanto ao Executivo.
De qualquer maneira, diz a sabedoria popular que “a voz do povo é a voz de Deus”. Se os cidadãos, em sua maioria, descrêem da justeza do próprio Poder Judiciário e não vêem nele a capacidade de promover a igualdade entre todos, como reza a Constituição (“Todos são iguais perante a lei”, diz ela), alguma coisa vai muito mal.

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