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Repercussão
Com julgamento, STF vive mal-estar inédito
O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a abertura de ação penal contra os políticos acusados de participar do chamado “mensalão” provocou um conflito surpreendente: no próprio STF.
Na quinta-feira, uma reportagem da Folha de S. Paulo mais parecida a espionagem do que jornalismo detonou o conflito. Segundo a repórter do jornal, Vera Magalhães, o ministro do tribunal Ricardo Lewandowski teria dito, em conversa particular ouvida por ela em um restaurante, que o STF julgou o caso “com a faca no pescoço” pela pressão da mídia.
No mesmo dia, outros ministros da corte negaram ter julgado para agradar a imprensa. “Uma característica forte deste tribunal é essa: não ceder à pressão”, disse o Gilmar Mendes. “Está para nascer quem coloque uma faca no meu pescoço para decidir”, garantiu o colega Ayres de Britto. Depois, Lewandowski negou que tenha falado em “faca no pescoço”.
Ditadura da Mídia
O deputado federal João Paulo Cunha e o ex-deputado e ministro José Dirceu reagiram ao julgamento do STF demonstrando indignação. “Provei e vou consolidar no processo que os recursos que saquei do Banco Rural foram disponibilizados pela tesouraria do Partido dos Trabalhadores”, disse João Paulo, em nota.
Ele invocou sua absolvição pelo Congresso Nacional em abril de 2006 e sua reeleição em abril do ano passado: “[Fui] Absolvido pela ampla maioria dos deputados e submeti meu mandato ao julgamento popular”.
Dizendo-se “perplexo”, José Dirceu acusou a imprensa de alimentar um julgamento suspeito: “Estamos caminhando para a ditadura da mídia no país”, atacou.
Ao contrário do que a imprensa dá a entender, os 40 julgados pelo STF não são considerados culpados. A decisão do tribunal significa apenas a autorização para que eles, agora sim, possam ser julgados formalmente pela Justiça.
Renan
Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), relatores do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediram a perda de mandato do senador por quebra de decoro parlamentar.
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