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Osasco, a cidade do sobrenatural

Eduardo Metroviche

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O escritor bancou a publicação de seu primeiro livro com recursos do FGTS, após ser demitido, e hoje já tem dez romances
Leandro Conceição

O jovem André Silva nasceu em São Paulo e vive em Osasco desde pequeno. Diz que se sentia o estranho da turma na escola. No intervalo das aulas, os amigos se reuniam para jogar futebol ou bater papo, mas sua companhia eram os livros da biblioteca, que ele “devorava”.
Hoje, tem 32 anos e continua em Osasco, cidade pela qual se diz apaixonado, no bairro Bela Vista. Adotou o nome artístico de André Vianco e já vendeu mais de 160 mil cópias de seus dez romances repletos de casos sobrenaturais. “Desde a adolescência, no cinema, na literatura, eu gostava das histórias sombrias”, revela.
Muitas têm Osasco como cenário. O enredo de Sementes no Gelo, sobre crianças-fantasmas, é na cidade. Vampiros também circulam pelo município nos livros de Vianco.
O sobrenome artístico é uma homenagem à Primitiva Vianco, nome da conhecida rua do centro, filha do fundador da cidade, Antonio Agu.

Os sete
Vianco começou a trabalhar como entregador de pizzas aos 14 anos. Escrevia no tempo livre. Com 15, tentou publicar um livro de contos. “Levei numa editora e me pediram uma fortuna. Meu sonho desandou”, lembra.
Em 1998 terminou O Senhor da Chuva, quando trabalhava para uma empresa de cartão de crédito. Em 1999, escreveu o livro que mudaria sua vida: Os Sete, sobre vampiros encontrados numa caravela naufragada no litoral do Rio Grande do Sul.
Decidido a publicá-lo, em 2000 o autor usou os recursos de seu FGTS, após ser demitido do trabalho, e lançou-o de forma independente. Só conseguiu vender a tiragem de mil exemplares depois de um ano, em consignação com livrarias.
Em 2001, a editora osasquense Novo Século descobriu Vianco e lançou o livro, que vendeu mais de 50 mil cópias, e os outros romances do escritor.

Noites do Terror
Alguns personagens dos livros de Vianco são representados nas Noites do Terror do Playcenter deste ano. “Minha maior emoção foi quando eu estava no meio das pessoas, que não me reconheciam, e eu as via reconhecendo meus personagens”, conta, sobre sua ida a uma sessão de autógrafos no parque.
Ele já escreveu duas histórias em quadrinhos e diz que seu livro A Casa deve ser adaptado ao cinema.

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