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A Vale é nossa
Deputados da região debatem plebiscito
Valter Campanato/ABr

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| Urnas estão espalhadas pelo país até o dia 9, domingo |
Até o dia 9, urnas estarão espalhadas por todo o país para a votação do plebiscito popular pela anulação da venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O plebiscito não é oficial, mas reúne diversas entidades de movimentos sociais, como MST, CUT, UNE e outras.
A maior mineradora do mundo foi vendida em 1997 pelo governo Fernando Henrique Cardoso, numa operação considerada ilegal por juristas renomados (leia artigo na página 2), ao preço de R$ 3,3 bilhões, sob financiamento do BNDES. No ano anterior à venda, a companhia havia lucrado quatro vezes mais do que o valor do negócio. Com exceção de Francisco Rossi (PMDB-SP), os deputados federais consultados pelo Visão Oeste questionam a venda. Para Claudio Magrão (PPS-SP), por exemplo, o plebiscito ensina que o povo “tem que definir a atuação do Estado sobre o patrimônio público”. Mas ele acha “muito difícil” que o negócio seja anulado, apesar da ressalva: “Nada é impossível”. O tema é discutido pouco no Congressso, diz.
Mesmo sendo do DEM (ex-PFL), partido que ajudou a aprovar a venda da CVRD em 1997, o deputado Silvinho Peccioli (na época iniciando seu mandato de prefeito em Santana de Parnaíba) diz que foi contra a desestatização da companhia “lucrativa, eficiente e de grande estrutura.” Sobre a diferença entre sua posição e a do partido, Peccioli diz ser “importante enxergar as coisas para além das questões partidárias. Mas por que os movimentos sociais esperaram dez anos para contestar?”, questiona. “Esses movimentos estão à procura de uma bandeira”.
“Que se julgue”
O deputado afirma que, “se houve crime de lesa-pátria, que se julgue, [o caso] precisa ser analisado sem paixão, à luz do Direito. Mas, por outro lado, se o país quer atrair investimentos, como fica a credibilidade se faz um negócio e depois desfaz?”.
Já o deputado Francisco Rossi (PMDB-SP) é contra o plebiscito e a reestatização da Vale: “É uma idéia estúpida. A privatização da Vale significou um ganho inestimável ao país. Reestatizar jogaria o país no atraso, causaria medo no investidor”, afirma.
Procurado pela reportagem, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) não retornou as ligações. A assessoria de Fernando Chucre (PSDB-SP) disse que ele estava em viagem.
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