|
Editorial
Dois meses da tragédia da TAM
Na segunda-feira, 17, completam-se dois meses da tragédia do vôo 3054, quando a queda de um Airbus A-320 da TAM matou 199 pessoas em São Paulo.
Como se esperava, o mais grave acidente da história da aviação brasileira já deixou de interessar a mídia, que, quando lhe interessou, não hesitou em explorar o sofrimento alheio para fazer proselitismo político barato.
O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, em 1° de agosto, chegou a ter um “furo” de reportagem publicado na capa do jornal: “Caixa-preta indica erro do piloto”, dizia a irresponsável manchete, ao mesmo tempo culpando o piloto morto e se antecipando a investigações sérias.
Quase 60 dias depois, as novidades são esparsas e geralmente vêm da CPI do Apagão Aéreo, da Câmara dos Deputados. A principal discussão atual é sobre se estava ou não em vigor a norma da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que proibia o pouso de aviões sem os reversores em pista molhada.
Enquanto o gerente de Padrões de Avaliação de Aeronaves da Anac, Gilberto Schittini, disse que a norma estava em vigor, o superintendente Operacional da mesma agência, Marcos Tarcísio Marques dos Santos, afirmou que não. Santos foi questionado para dizer, então, por que uma norma sem validade ficou seis meses no site da Anac na internet. Ele respondeu que as causas do erro seriam apuradas.
Esta semana, na Polícia Civil, o mecânico que fez a vistoria e, sob ordens, travou o reversor da turbina direita, disse que a TAM possuía a peça para a troca, mas preferiu operar sem ela.
Por que nada disso interessa mais à mídia?
|