Politica

Rodoanel

Serra não cumpre o que Covas prometeu

Eduardo Metroviche

[clique para ver maior]
Obras do trecho Sul (acima) seriam financiadas pelo pedágio no trecho Oeste, segundo governo estadual
Viviane Ramos de Sousa

Apesar de o governador do estado, José Serra (PSDB), em visita a Cotia no último dia 11 (edição 2006), ter garantido que as 16 praças de pedágio dos quase 33 km do trecho Oeste do Rodoanel Mario Covas só entrariam em funcionamento daqui a quatro anos, tudo indica que a cobrança começará mesmo em 2008.
Para o Movimento Rodoanel Livre, criado por lideranças comunitárias, políticas, sindicais e empresariais, Serra apenas tentou amenizar o impacto da medida. Quando a privatização foi anunciada, na gestão Claudio Lembo, o governo estadual havia informado que as cobranças começariam no ano que vem.
A publicação do edital de licitação para concessão do trecho no Diário Oficial do Estado (DOE), que estava marcada para o dia 17, foi adiada. Ainda não foi divulgada nova data.
R$ 1 milhão/dia
Na manhã da terça-feira, 18, em Osasco, durante coletiva com a imprensa, as principais lideranças do Movimento Rodoanel Livre alertaram sobre os valores envolvidos no projeto de concessão. Alcides Valente, secretário de Indústria, Valdir Fernandes, diretor do Sindicato dos Bancários e representantes da CUT, entre outros, participaram do encontro.
Segundo o grupo, a arrecadação diária dos pedágios será de mais de R$ 1 milhão. Em três anos, o valor arrecadado chegaria a R$ 1 bilhão, quantia que, segundo Serra, seria necessária para a construção do trecho Sul.
“Isso quer dizer que a população assumirá eternamente a responsabilidade do estado, pois a concessão será por 25 anos. Só que o estado será reembolsado em três”, avaliou o vereador de Cotia Toninho Kalunga (PT).

Prejuizo à qualidade de vida

A principal preocupação do Movimento Rodoanel Livre é com o aumento das conseqüências negativas decorrentes da fuga dos motoristas para não pagar a taxa: poluição do ar, número de acidentes, congestionamentos e degradação acelerada das principais vias locais de Osasco, Carapicuíba, Barueri, Embu e Taboão da Serra.
A possível debandada de empresas da região também foi discutida.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Jorge Nazareno, lembrou uma promessa do então governador Mário Covas ignorada pelo atual governo: “Na época do Covas, ele disse que a idéia não era pedagiar o Rodoanel, mas não é isso o que está acontecendo”.
Nas próximas semanas, o grupo iniciará distribuição de adesivos com mensagens contrárias aos pedágios. Audiências públicas serão realizadas em Osasco. Não há datas definidas.
Na segunda-feira, 24, às 14h30, o deputado estadual Marcos Martins (PT) vai lançar, na Assembléia Legislativa de São Paulo, uma frente parlamentar para discutir a cobrança.

Site produzido pela Editora Visão Oeste | © Cópia para fins não-comerciais permitida desde que citada a fonte
webdesign: Ana Laura Azevedo