Cidades

20 de novembro

Todo dia é de Consciência Negra

Eduardo Metroviche

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“Feriado não é uma data para ir à praia”
Leandro Conceição

Na quinta-feira, 20 de novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra. A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Surgiu da luta do movimento negro por um dia de conscientização e reflexão histórica.
O objetivo é tornar a data feriado nacional, não apenas em algumas cidades. “Não é um feriado para ir à praia. É para realizar atos sobre a importância da consciência negra para o país”, diz o presidente da ONG de Carapicuíba Igual Eu Não Com Todos os Direitos Iguais, Edivaldo Esteves.
A idéia é que o apelo da data “desperte as pessoas para que todo dia seja de conscientização”, afirma Eduardo Barbosa, do Fórum Permanente do Movimento Negro da Região Oeste (FPMNO). “O 20 de novembro é todo dia. Não tem um dia em que não me deparo com o preconceito”, atesta o diretor da Ação Negra de Integração e Desenvolvimento (Anid), Gerson Pedro.
Pedro, também assessor de combate ao racismo da prefeitura de Barueri, avalia o Brasil como “um país extremamente racista e preconceituoso”, o que, diz, é evidenciado pela “falta de oportunidades e políticas públicas para a população negra”.
“É só ver os dados, os negros ganham menos que os brancos e dificilmente chegam a um cargo mais importante. Na TV parece o negro só serve para ser empregado”, afirma Esteves. “Queremos oportunidades e direitos iguais”
Pesquisa Ibope aponta que apenas 3,5% dos negros ocupam cargos executivos de chefia. As mulheres negras sofrem discriminação dupla: menos de 0,5% são chefes. Segundo o IBGE, o salário dos negros é até 40% menor que o dos brancos com a mesma faixa de estudo.

Obama
A vitória de Barack Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos, é muito comemorada. “É um marco, o maior feito para os negros no mundo”, avalia Pedro.
Os representantes da região dizem que seu objetivo é “atualizar e dar continuidade às lutas de grandes líderes, como Zumbi, Martin Luther King, Zumbi, Malcolm X e Steve Biko”, assegura Esteves. É longa a caminhada do negro para que deixe de ser rei só na folia do Carnaval, como cantou o sambista Candeia.

Movimento contesta o Dia
da Abolição em 13 de maio

Para o movimento negro, o 13 de maio – dia em que foi assinada a abolição da escravatura, pela Princesa Isabel, em 1888 – não é uma data a ser comemorada. “Os negros foram simplesmente jogados no mercado de trabalho, sem indenização, qualificação”, critica o presidente da ONG “Igual Eu Não”, Edivaldo Esteves.
O fato se reflete até hoje nos índices de pobreza da população negra. Segundo o Ipea, 33,2% dos negros vivem abaixo da linha de pobreza, mais do que o dobro da população branca na mesma situação: 14,5%.
O IBGE aponta que apenas 4% dos negros ou pardos concluem curso superior, contra 13,4% dos brancos. “A inserção social do negro só vai se dar através da educação”, avalia Gerson Pedro, diretor da Anid.

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