Opinião

Artigo

À espera da audiência com o governo

Paulo Pereira da Silva*

Estamos aguardando que o governo federal marque uma audiência solicitada recentemente pelas centrais sindicais, para discutir medidas capazes de reduzir o impacto da crise financeira no país.
O temor do movimento sindical é que os problemas financeiros provoquem recessão e, conseqüentemente, arrocho salarial e uma onda de desemprego. A história mostra que os trabalhadores sempre pagam a conta nos momentos de crise.
A crise deve piorar ainda mais as condições de trabalho. Um pesquisador das relações do trabalho disse recentemente que ocorrerão mais demissões e precarização do trabalho. Os que não forem demitidos ficarão sobrecarregados, o que vai resultar em doenças ocupacionais e acidentes.
Desta vez não vamos pagar a fatura. Queremos negociar com o governo um projeto de desenvolvimento que preveja investimentos a juros baixos nos setores de infra-estrutura, que são os que empregam muita gente.
Vamos reivindicar também a manutenção do nível de emprego, aprovação da Convenção 158 da OIT, que proíbe demissões imotivadas, redução da jornada de trabalho sem corte nos salários e distribuição de renda.
Enquanto as centrais sindicais negociam com o governo, os sindicatos devem somar esforços para elevar o nível de organização e mobilização dos trabalhadores dentro das empresas para dar respostas rápidas a qualquer investida patronal contra os trabalhadores.
A deflagração de greves, manifestações e passeatas não estão descartadas nas empresas que cortarem pessoal para manter seus lucros.

*Paulo Pereira da Silva é presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT)


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