|
Artigo
Obama e o negro na TV brasileira
Robson Terra*
A vitória de Barack Obama traz a felicidade da batalha vencida contra os absurdos da experiência humana. Os EUA vão ter que conviver eternamente com a sonoridade do nome do presidente eleito, que remete a Osama, o Bin Laden, o satânico algoz daquela nação. O fato histórico remete à reflexão sobre o papel do negro na sociedade, na perspectiva de nova ordem mundial e, por analogia, aqui, ao aproveitamento dos atores negros na TV brasileira.
Desde as primeiras imagens de atores brancos interpretando negros com pesado make-up à Sérgio Cardoso, no estilo black face, vivendo com soberba competência um negro na novela “A Cabana do Pai Tomás”, baseada no romance de H.B. Stowe, adaptada por Edy Maia, produzida em 1969, pela TV Globo, que não alcançou o sucesso esperado, a presença da negritude espelhada por brancos causou estranheza no público e na classe artística.
Na caricatura musical, assistiu-se a atores brancos rebocados de preto cantando “Boneca de pixe”, ou o clássico “Nêga do cabelo duro” ou saudando o carnaval com “O teu cabelo não nega” ou “Mulata assanhada”. O espaço para os afro-descendentes na TV limita-se à cozinha, prostíbulo ou senzala. Poucos se destacam no futebol e outros enchem a telinha de luz, magia e cores no carnaval. Enriquecem as emoções de cenas de assaltos, crimes hediondos ou com a favelização contemporânea da programação. Sim, a grande audiência da programação da TV aberta está concentrada na periferia das grandes cidades e, por isso, a favela e o negro viram personagens do horário nobre.
*Robson Terra é jornalista.
Texto originalmente publicado em Observatório da Imprensa (Leia, na íntegra, em www.observatoriodaimprensa.com.br)
As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade dos autores e não correspondem necessariamente à opinião do jornal
|