Opinião

Editorial

Cotas para universidades

Quem estudou em escolas estaduais paulistas no período anterior à ditadura militar sabe que aqueles que buscavam educação de qualidade não precisavam procurar o ensino privado.
Mesmo depois do golpe de 1964, a população brasileira ainda pôde usufruir de escolas públicas de qualidade, mas isso apenas enquanto os governos dos generais não conseguiram destruir o sistema educacional, tarefa a que, em São Paulo, os sucessivos governos tucanos trataram de “desenvolver” com afinco na última década.
Como os mais prejudicados são, claro, os mais pobres, é bem-vindo, mas com ressalvas, o projeto aprovado na Câmara dos Deputados nesta quinta-feira, que estabelece cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais de todo o país.
Pelo texto, 50% das vagas nas universidades federais serão reservadas a alunos oriundos de escolas públicas. Metade desse percentual, prevê o projeto, deve ser reservado como cota racial.
A previsão das cotas tanto raciais como sociais pode ajudar a corrigir a distorção em um país de privilegiados, onde quem tem dinheiro vira bacharel, e quem não tem não passa do ensino médio.
Mas, se a iniciativa é válida, ela não resolve o problema desde a raiz da questão educacional. É necessário que o país ofereça a suas crianças e seus jovens escolas de qualidade em todo o ciclo escolar. No Brasil, nem mesmo de creches suficientes as mães carentes dispõem para deixar seus filhos.
Quanto à lei recém-aprovada pela Câmara, o texto precisa ser analisado com o devido cuidado, para não enveredarmos por análises superficiais. Num primeiro momento, parece que as universidades particulares não terão responsabilidade alguma sobre as cotas. O que é estranho num país em que a educação virou um negócio.

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