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Artigo
O pior (e o melhor) ainda está por vir
Valter Pomar*
A palavra crise freqüenta o noticiário internacional há vários meses. Crise alimentar, crise ambiental, crise militar, crise política e social. Nas últimas semanas, uma crise adquiriu maior intensidade: a crise financeira nos Estados Unidos, que propagou-se para o mundo e já transformou-se em crise econômica global.
Vamos aos números: o PIB (total das riquezas produzidas em um ano) mundial é de aproximadamente 65 trilhões de dólares. E os títulos financeiros somam aproximadamente 600 trilhões de dólares.
A diferença entre uma coisa e outra dá uma medida aproximada da especulação financeira. E a crise consiste no seguinte: aqueles 600 trilhões estão perdendo valor e o “chão” da desvalorização está nos 65 trilhões. Quem vai pagar a conta?
Esta foi a discussão travada na reunião do G-20, no dia 15 de novembro, em Washington. Dela participaram os governos dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Grã Bretanha, Itália, Rússia, União Européia, Brasil, México, Argentina, Chi-
na, Índia, Coréia do Sul, Arábia Saudita, Indonésia, Turquia, África do Sul e Austrália. Espanha e Holanda participaram a convite da França. Todos estes países reúnem cerca de 85% do PIB mundial.
A reunião rendeu um comunicado que, resumindo, fala em coordenar políticas, aumentar os controles e tentar concluir a Rodada Doha. Estas medidas serão capazes de controlar a crise e proteger os mais fracos? Infelizmente, não. A crise vai se agravar muito e terá conseqüências econômicas, sociais, políticas e militares.
*Valter Pomar é secretário de Relações Internacionais do PT
As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade dos autores e não correspondem necessariamente à opinião do jornalSindicalismo perde um grande dirigente
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