Cultura

Centenário

Grande e notável Carmen Miranda

Fotos/Reprodução

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Ela brilhou quando a mulher era discriminada pela sociedade
Eduardo Maretti

Maria do Carmo Miranda da
Cunha nasceu em 9 de fevereiro de 1909, na cidade de Marco de Canavezes (Portugal), e morreu em 5 de agosto de 1955. Veio para o Brasil com a mãe, Maria Emilia Miranda da Cunha, em 1910, onde o pai, José Maria Pinto da Cunha, já havia montado um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, no Rio de Janeiro.
A carreira de Carmen Miranda começa nos anos 20. Em 1929, grava seu primeiro disco, na Brunswick, com as canções “Não Vá Sim’bora” (samba) e “Se O Samba É Moda” (choro), embora alguns biógrafos considerem que sua primeira gravação tenha sido o compacto simples Triste Jandaia, produzido alguns meses depois pela Victor, já uma gravadora importante.
Em fevereiro de 1930, a cantora lança “Tá aí” (“eu fiz tudo pra você gostar de mim”), seu primeiro grande sucesso. Para alguns, sua carreira é dividida em duas fases: a brasileira e a americana, já que, antes de embarcar para os Estados Unidos (1939), Carmen gravou 270 músicas e atuou em cinco filmes no Brasil. Nos EUA, onde brilhou em Hollywood, gravou 38 discos e fez 14 filmes.
Por falta de conhecimento, há quem não goste de Carmen, devido a sua “figura caricata”, que estereotipa a cultura nacional, por exemplo. Mas ela foi muito mais do que isso.
Primeiro, transformou-se na maior artista (homem ou mulher) popular do país na primeira metade do século 20, uma época de enormes preconceitos e discriminação contra a mulher. Segundo, com imenso talento, ginga e uma voz até então inigualável, divulgou a arte, a cultura e particularmente a música brasileira aos povos, como bem disse ninguém menos do que Heitor Villa-Lobos, o mais importante músico brasileiro (veja box abaixo).
Terceiro, a alegria tropicalista da “pequena notável” influenciou gerações, que a seguiram. É, por exemplo, óbvio que os elementos de suas performances tiveram eco formidável no Movimento Tropicalista, nos anos 60. Como fica claro na canção “Tropicália”, de Caetano Veloso, o manifesto inicial desse movimento.
E, em 1972, a escola de samba Império Serrano venceu o desfile no Rio com o enredo “Alô Alô Taí Carmen Miranda”.

Homenagem em Portugal
O município português de Marco de Canavezes, próximo à cidade do Porto, onde nasceu Carmen Miranda, realiza uma série de eventos para lembrar o centenário da artista.
Na casa em que ela nasceu foi descerrada na segunda-feira uma placa. Até o dia 5 de agosto – data de sua morte precoce, do coração, aos 46 anos, em sua residência de Beverly Hills (EUA) – serão realizadas várias atividades: exposições, concurso de montras (vitrines), edição de um livro fotobiográfico, emissão de selo e de medalha comemorativa, desfile de escolas de samba, concertos, cinema, teatro e dança.

Heitor Villa-Lobos sobre Carmen Miranda

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“Nenhum brasileiro de bom senso pode ignorar o muito que Carmen Miranda fez pelo Brasil lá fora, transportando este país na sua bagagem, ensinando a povos, que jamais haviam tomado conhecimento de nossa existência, a cantar as nossas músicas e a adorar o nosso ritmo. Carmen Miranda será sempre uma dívida irresgatável.” (Na Revista O Cruzeiro, em 12 de abril de 1952.)
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