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Editorial
Uma equação
complexa
O Brasil vive um impasse. Obras importantes para que o país siga no caminho do crescimento estão atrasadas ou emperradas devido a questões ambientais.
Um entre muitos exemplos: um projeto aeroespacial binacional (Brasil e Ucrânia) está ameaçado porque, na região da base de Alcântara, no Maranhão, existem terras demarcadas de comunidades quilombolas. O local é um dos melhores do mundo para o lançamento de satélites, devido à proximidade com a linha do equador. Apenas França e Brasil têm a sorte de possuir uma base em localidade tão privilegiada. Por outro lado, sabemos que o meio ambiente exige cuidados cada vez mais radicais.
Além da Amazônia, as reservas, os mananciais e áreas remanescentes de Mata Atlântica estão desaparecendo rapidamente diante dos interesses imobiliários e o agronegócio. E há a questão social, que permeia as duas anteriores, e que o Brasil ainda está longe de resolver.
Discussão semelhante se dá em Cotia, onde se planeja construir residenciais de alto padrão em área remanescente de Mata Atlântica. É o eterno conflito entre crescimento, preservação e moradia. Por um lado, defende-se o desenvolvimento para moradias de classe média alta. Por outro, as reservas da mata. E as populações carentes do entorno, que não têm moradia, são acusadas de ser ameaça maior do que tudo, ao que resta de espaço verde.
Condições dignas de moradia para essas populações devem estar em primeiro lugar nas preocupações de governos. A mata tem que sobreviver. E o capital clama por investimentos. O consenso é muito difícil, mas a resolução dessa equação complexa há de existir. Depende sobretudo do diálogo e de políticas públicas sérias.
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