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05 de março de 2010
Mulheres querem divisão da responsabilidade familiar


Eduardo Metroviche
A diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Gleides Sodré  
 
Além de reivindicações como igualdade no mercado de trabalho, a pauta deste Dia Internacional da Mulher, na segunda-feira, 8, deve ser a conscientização da sociedade pela responsabilidade compartilhada entre homem e mulher no ambiente familiar. É o que diz a diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Gleides Sodré.

“A responsabilidade da educação, da saúde dos filhos, da família, os afazeres domésticos, muita vezes fica tudo nas costas da mulher, é muita pressão”, avalia. “Além disso, dificulta, por exemplo, a admissão de mulheres em muitas empresas, já que se tiver uma reunião do filho, um problema de saúde na família, ela é que normalmente tem de faltar.”

Segundo pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgada nesta quinta-feira, 4, as mulheres gastam, em média, cerca de 20,9 horas semanais em afazeres domésticos, enquanto os homens gastam 9,2 horas. Juntando emprego e casa as mulheres têm jornada semanal de 57,1 horas, enquanto os homens, 52,3 horas.

“Muitas mulheres assumem dupla jornada (somando emprego com os afazeres domésticos) e isso pode ter sequelas graves, como problemas de saúde e estresse”, disse José Ribeiro, um dos autores da pesquisa e coordenador de projetos da OIT.

No livro Feminismo e Luta das Mulheres – Análises e Debates, publicado pela Sempreviva Organização Feminista, a psicóloga feminista Nalu Faria diz que, “em relação aos homens, são necessárias atividades que os aproximem do universo doméstico e do cuidado dos filhos”.

“É necessário desmitificar a naturalização do feminino e masculino e refletir sobre o significado das relações hierárquicas e de poder”, analisa Nalu Faria.


Reprodução
Campanha com a socialite Paris Hilton foi vetada pelo Conar por ser considerada “sexista” e “desrespeitosa”  
 
Veto à propaganda de cerveja causa polêmica

Gleides Sodré comemora o polêmico veto do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) à propaganda da cerveja Devassa, da Schincariol. “O marketing no Brasil insiste em usar a mulher como objeto. E cerveja e mulher não têm nada a ver”, defende.

A peça publicitária mostrava a socialite norte-americana Paris Hilton sendo admirada por dezenas de pessoas em poses sensuais com a lata da cerveja nas mãos. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres qualificou a campanha de “sexista e desrespeitosa”. “Aquilo parecia mais comercial de algo pornográfico”, avalia Gleides.

Ela diz considerar a propaganda de Paris Hilton mais ofensiva do que a de Juliana Paes se dizendo a “boa” da Antarctica. “É menos pior ser a boa do que a devassa, o próprio nome da cerveja já é ofensivo à mulher”.

O publicitário Átila Francucci acusou o Conar de favorecer as empresas ligadas à Ambev (donas das marcas Skol, Brahma e Antarctica) em entrevista ao blog da jornalista Marili Ribeiro no estadao.com.br. “Uma marca nova entrando no mercado do concorrente causa desconforto e fortes reações”.