05 de fevereiro de 2010
Editorial Lula e os aviões de guerra
Continua a briga entre as empresas Dassault (França), Saab (Suécia) e Boeing (Estados Unidos) pelo fornecimento ao Brasil de um pacote de 36 caças de combate. A disputa, que, em setembro, era prevista para terminar ainda em dezembro, se arrasta desde então.
Pelo que dizem alguns experts no assunto, a aeronave mais avançada tecnologicamente seria o F-18 Super Hornet dos EUA, o que não é nenhuma novidade, já que se trata do país que possui a maior máquina de guerra do mundo.
O que está em jogo, porém, não é apenas o melhor avião, e sim o conjunto de fatores mais benéfico ao Brasil, incluindo a transferência de tecnologia envolvida no acordo e, principalmente, a busca por maior independência no teatro geopolítico da América Latina. E, claro, o avião em si.
Não teria sido por acaso, e muito menos por descuido ou precipitação, que o presidente Lula teria manifestado seu apoio ao produto francês, no momento mesmo em que recebia a visita de seu colega Nicolas Sarkozy, no dia das comemorações da Independência do Brasil.
Lula não dá ponto sem nó, como se dizia antigamente. Provavelmente ele calculou que sua “precipitada” escolha desencadearia grande repercussão. A briga de verdade parece se dar entre a americana Boeing e a francesa Dassault. A sueca Saab, com sua aeronave Gripen NG, faz mais estardalhaço do que ameaça ganhar a concorrência.
Os americanos vêem nesse embate uma real ameaça ao seu controle militar nas Américas. Eles trabalham silenciosamente, e o barulho da empresa sueca, inclusive com anúncios pagos à imprensa brasileira, parece ser apenas um jogo de despiste. Não é à toa que Lula prefere o avião francês.
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