05 de março de 2010
Artigo Verdades e falácias sobre as 40h
Jorge Nazareno*
Uma medida com potencial de criar 2 milhões de empregos, que vai dar mais tempo para o trabalhador se qualificar, estar com a família e ter mais qualidade de vida. É disso que falamos quando defendemos a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. É por isso que estamos mobilizados pela aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 231/95 pelo Congresso Nacional.
A jornada de trabalho no Brasil não se restringe somente às 44 horas semanais, há o tempo gasto no transporte público e a prática indiscriminada de horas extras. Em países como Argentina, Uruguai, Alemanha e França, há limitação anual para a realização de horas extras, que ficam entre 200 e 280 horas/ano, em torno de quatro horas extras por semana, de acordo com o Dieese. O que não ocorre por aqui.
Some-se a isso o ganho de produtividade obtido pelas empresas, que, com novas tecnologias e práticas gerenciais, ampliaram a pressão para que o trabalhador produzisse mais dentro do mesmo tempo. Entre 1988 e 2008, essa conjuntura se traduziu em produtividade 84% maior para a indústria de transformação, por exemplo, segundo o IBGE. Isso mostra que as empresas têm condições de absorver a elevação em apenas 1,99% dos custos que as 40 horas irão provocar.
Todos esses fatos não são mencionados pela elite empresarial, que quer manter as 44 horas para ampliar seu lucro sobre o trabalhador. Apresentam um monte de fantasmas para amedrontar a população. Dizem que os benefícios das 40 horas não passam de falácias. Falar em desemprego e aumento de custos de produção devido à jornada menor é que é uma falácia.
*Jorge Nazareno é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região
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