03 de fevereiro de 2012
Editorial A diferença ideológica na prática
O drama das famílias no Pinheirinho, em S.J.dos Campos, e agora a preocupação das famílias na área da Savoy, em Carapicuíba, escancaram na prática como as diferenças ideológicas dos governos interferem na vida dos cidadãos.
Embora ambos os casos pareçam caminhar para desfechos diferentes – em Carapicuíba, o governo municipal é claro quanto ao lado que defende, tentando encontrar meios de manter as famílias na terra que ocupam desde 2003 - fica evidente que, no momento chave, o governo de São Paulo tende a encarar a situação com a ótica do privilégio do capital.
Sobretudo quando, conforme começam a mostrar os fatos no caso do Pinheirinho, há decisões conflitantes na própria Justiça com inclinação a devolver o necessário caráter social às questões econômicas.
A moradia, conforme versa a Constituição, é direito pétreo
A moradia, conforme versa a Constituição, é direito pétreo. A propriedade, também. Mas apenas uma visão obsoleta pode dar maior peso à segunda, relevando o impacto social em benefício da prioridade ao poder econômico.
Um poder que, como é notório no caso Pinheirinho, dobra os limites da Lei, quando não a subverte, para arrastar tanto quanto possível sua dívida para com a coletividade, com pés fincados na especulação financeira e na sonegação.
É também revelador que os planos para assentar as famílias e cumprir o dever do Estado de prover o direito à moradia só sejam finalmente apresentados depois das críticas de toda a sociedade. Faz nos questionar por que não foram colocados em andamento antes da hora “H”. Faz nos torcer para que, agora em Carapicuíba, a chance não seja desperdiçada.
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