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16 de julho de 2010
Agora, Alckmin diz que quer rever pedágios


Eduardo Metroviche
No evento em Barueri, tucano admitiu que tarifas são caras no estado de SP  
 
Fernando Augusto

O candidato do PSDB ao governo do estado, Geraldo Alckmin, esteve em uma churrascaria em Barueri na quarta-feira, 14, e defendeu o modelo de concessão de rodovias que foi adotado em São Paulo. O evento reuniu também os candidatos ao Senado, Orestes Quércia (PMDB) e Aloysio Nunes (PSDB), além de postulantes a deputado federal e estadual.

A questão dos pedágios cobrados no estado é um de dos pontos mais vulneráveis na campanha tucana e alvo permanente de seu principal oponente na eleição, o petista Aloizio Mercadante.

No evento em Barueri, Alckmin falou em rever tarifas. “Você pode ter casos que a pessoa percorre um trecho menor e acaba pagando uma tarifa cheia. Esses casos nós vamos analisar um a um”, prometeu. “O que puder fazer para reduzir, nós vamos fazer.” Antes, afirmou que o modelo de concessão adotado “possibilitou grandes investimentos.”

Na quinta-feira, 15, o governador do estado, Alberto Goldman (PSDB), que assumiu após José Serra se licenciar para concorrer à presidência, lançou o edital das concessões dos trechos Sul e Leste do Rodoanel, com pedágios cujas tarifas podem chegar a R$ 6,00 no trecho Sul e R$ 4,50 no Leste (leia na página 5).


Eduardo Metroviche
Em Osasco, Mercadante criticou a política do governo paulista  
 
IGP-M x IPCA
Na semana passada, ao iniciar a campanha eleitoral no Largo de Osasco, o candidato do PT, Aloizio Mercadante, criticou o modelo de concessão adotado pelo PSDB no estado. “A taxa interna de retorno de alguns contratos é superior a 20%, do pedágio federal é 8,5%. O indexador de inflação que eles usaram é o IGP-M. Do federal, é o IPCA. Só isso, em dez anos, dá uma diferença de quase 40%”, afirmou Mercadante, que defende a cobrança de acordo com a quilometragem percorrida pelo motorista. Para isso, seria utilizado o sistema eletrônico de cobrança (Sem Parar).

Críticas
O prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), pediu votos para os candidatos ao Senado, para o candidato tucano à presidência, José Serra, e para sua filha Bruna Furlan (PSDB), candidata a deputada federal.
Furlan só não pediu votos nominalmente para deputado estadual, já que havia diversos aliados no evento.

 

Temendo legislação, tucano não discursa

Por volta das 21h45, ao chegar à churrascaria no Tamboré, onde se reuniram militantes e lideranças políticas da aliança PSDB/DEM/PMDB, Geraldo Alckmin foi recebido pelo prefeito de Barueri e disse no ouvido de Furlan: “não vou falar, isso pode dar cassação, não pode fazer jantar, essas coisas”.

Rubens Furlan pediu então para que Alckmin pelo menos subisse no palanque. “Não, só vou andar por aí”, respondeu o candidato tucano.

Furlan pegou o microfone e disse que Alckmin não discursaria porque “nós respeitamos a lei eleitoral”. No entanto, Quércia, Aloysio Nunes e o próprio Furlan já haviam pedido votos na tribuna.

O Visão Oeste consultou o professor Marcio Luis de Oliveira, especialista em Direito Eleitoral da rede de ensino LFG. Segundo ele, Alckmin pode ter exagerado na cautela. “Jantares em locais públicos, com a presença de potenciais eleitores não ferem a lei eleitoral, desde que o oferecimento do jantar não aconteça em troca de votos”, explica.

O tema é polêmico. O deputado estadual Celso Giglio (PSDB) teve pedido de cassação por parte do Ministério Público Eleitoral (MPE) por realização de almoços e jantares na eleição de 2006. Mas o TRE rejeitou a ação por considerar que não ficou comprovada a intenção do candidato em comprar votos.