Cidades

47 anos

A história dos bairros de Osasco

Eduardo Metroviche

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Praça Dicran Echrefian, em Altino, lembra uma sossegada tarde típica do interior e seu nome revela a influência armênia
Leandro Conceição

No mês de aniversário de Osasco, que completa 47 anos no próximo dia 19 de fevereiro, o Visão Oeste publica uma série de matérias especiais sobre os bairros e a história do município. As primeiras delas contam as origens e mostram personagens de dois dos bairros mais tradicionais da cidade: Presidente Altino e Jardim Rochdale.
Segundo a historiadora Mara Danusa, que há 20 anos estuda o desenvolvimento de Osasco e escreveu um livro sobre suas ruas, sem o conhecimento da história “não há identidade”.
“Osasco tem muita história. Já recebeu muitos presidentes, como João Goulart, Ernesto Geisel e Lula, e personalidades, de Paulo Autran a Zeca Pagodinho”, diz Eduardo Metroviche, autor do livro Osasco – Um Século de Fotografia.

Presidente Altino, lugar de operários e imigrantes

Eduardo Metroviche

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Em Presidente Altino, estação de trem e (acima) pátio da CPTM
O bairro de classe média tranqüilo e de ruas planas, onde “seu” João Leitão, aposentado, 70 anos, vive desde criança e costuma andar de bicicleta para manter a saúde em dia, começou a se formar por volta de 1914. Funcionários da Cerâmica Hervy, antiga Cerâmica Osasco, vieram morar em casas construídas em um terreno da empresa, no Km 14 da ferrovia Sorocabana.
Em seguida, chegaram imigrantes armênios, portugueses, espanhóis e até russos, adaptados ao frio para trabalhar no Frigorífico Continental. Os armênios marcaram muito a história do bairro, onde fica a Comunidade Armênia de Osasco.
Em 1920, foi construída a estação ferroviária. Assim como o bairro, o nome da estação homenageia o ex-governador paulista (na época presidente do estado) Altino Arantes Marques (1876-1965), que governou entre 1916 e 1920. A estação foi reconstruída na década de 70 e reinaugurada em 1979.
Entre as principais vias de Altino está a rua Henry Ford, onde funcionou de 1958 até o começo da década de 1990 a Fundição Ford.
João Leitão diz que o bairro “é muito gostoso de morar” e não muda de jeito nenhum: “Minha vida é aqui”. O aposentado Francisco Florentino, 70 anos, chegou ao bairro há 30, trazido pela empresa onde trabalhava. “Deu tudo certo aqui. É um bairro bom de morar, calmo, com pessoas amigas, próximo do centro de Osasco e de São Paulo.”

Soberania
Segundo a historiadora Mara Danusa, depois de a cidade se emancipar de São Paulo (em 1962), os primeiros prefeitos de Osasco costumavam mudar o nome das ruas de Presidente Altino, que fica na divisa com a capital, para afirmar a soberania municipal. Os nomes de personagens ilustres paulistanos eram trocados pelos de quem ajudou a construir Osasco.
Presidente Altino tem o ginásio José Liberatti, onde treina e manda seus jogos o Finasa/Osasco, um dos principais clubes de vôlei feminino do país; a sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, um dos mais combativos do país, que entrou para a história com a Greve da Cobrasma em 1968, além do Hospital Regional de Osasco e um Senai.

Rochdale começou como cooperativa

Eduardo Metroviche

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Avenida Cruzeiro do Sul é uma das principais
O aposentado Manuel de Jesus Leite, 61, conta que mora no Jardim Rochdale, periferia de Osasco, há 49 anos. “Desde que era só mato e não tinha quase nada, de infra-estrutura a condução”. Operário, seu pai comprou uma casa simples no bairro para fugir do aluguel.
“O Rochdale cresceu e melhorou muito”, avalia. Manuel espera mais melhorias: “precisa de obras, pavimentação”. Mas diz que, dali, não sai. “Amo o Rochdale, cresci junto com o bairro, criei meus três filhos aqui.”
A Cooperativa Mista Popular do Rochdale foi criada há 56 anos, em 25 de maio 1952, liderada pelo advogado Fernando Marrey. O nome do bairro homenageia a cidade inglesa de mesmo nome, considerada exemplo de cooperativismo.
Eduardo Metroviche

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Manuel Leite mora no bairro há 49 anos
O acordo entre os financiadores da cooperativa de Marrey era de que os compradores de lotes – da Chácara dos Castanheiros, com cerca de 1,5 milhão de metros quadrados – tivessem direito a escola para os filhos, assistência médica, lazer e recreação, entre outros benefícios, que seriam cobrados no preço do terreno.
Depois de 11 anos de fundação, 170 associados conseguiram financiamento para a construção de casas e a cooperativa começava a avançar, com uma escola primária, curso de alfabetização e campo de futebol, entre outros itens.
Mas uma crise econômica e disputas de interesses acabaram com a Companhia Construtora Osasco, que comercializava os lotes, e a idéia da cooperativa começou a ruir, para desgosto de Marrey. Os cooperados ainda conseguiram vitórias na Justiça, mas não foi possível manter a cooperativa.

“Enfavelamento”
Mara Danusa diz que o “enfavelamento” do bairro começou com o ex-prefeito Humberto Carlos Parro, com um projeto criado para oferecer “casa para todos”, mas sem planejamento e em áreas que deveriam ser de preservação ambiental, nos anos 80.
Durante mais de 40 anos os moradores do Rochdale sofreram com enchentes, hoje raras, graças à recente construção de piscinões, por meio de parceria entre prefeitura e governos federal e estadual.
O bairro tem um centro comercial, na avenida Cruzeiro do Sul, uma das principais vias. Ali se localiza a Associação Eremim, projeto social vinculado ao Sindicato dos Metalúrgicos, que atende crianças e jovens e visa a melhoria do nível de desenvolvimento humano de famílias carentes.
O estádio do Rochdalão, onde os times profissionais da cidade mandam seus jogos, o clube dos Sargentos e o Metalclube (dos Sindicato dos Metalúrgicos) também estão no Rochdale.
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