A comissão dos errados

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“Essa não é mais uma Comissão dos Direitos Humanos”. A frase, dita pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), resume o espanto com que a sociedade recebeu a notícia de que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), da bancada evangélica, foi eleito presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias na Câmara. Chega a ser um contrassenso.
Já era de surpreender ver eleito deputado um cidadão cujas “apresentações” visando à coleta de “doações” para sua igreja incentivavam a entrega de cartões de crédito e senhas dos fiéis. Os vídeos espalhados pelas redes sociais são muitos. Ele também responde a processo acusado de estelionato no Rio Grande do Sul, por receber para fazer apresentação e não aparecer.

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A escolha estapafúrdia de Marco Feliciano testa os limites da democracia

Seus comentários de teor notoriamente homofóbico, preconceituoso e racista já eram bastante conhecidos. A cada aparição, o parlamentar só consegue mostrar mais intolerância e desprezo pela diversidade. Intolerência maquiada de liberdade religiosa; uma liberdade mal interpretada, que não considera preconceito dizer que descendentes de africanos seriam pessoas amaldiçoadas, ou afirmar que Aids é “câncer Gay”.
A escolha estapafúrdia de seu nome para a CDH testa os limites da democracia. Sim, porque o pensamento de Feliciano não é, nem de longe, o da maioria. Não reflete o povo brasileiro. Nem mesmo a maioria do segmento religioso que diz representar. Sua eleição nos faz perguntar onde foi parar o bom senso da Casa, dos demais parlamentares e de todos que direta ou indiretamente têm poder ou influência para interferir numa votação importante como essa.
O país cochilou por um instante, e deixou o lobo cuidar dos cordeiros… Sai a Comissão dos Direitos; dá lugar à comissão dos errados…

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