A delação (ou não) de Delcídio

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VISAO_EDITORIALO cenário político brasileiro levou um chacoalhão na quinta-feira, com a publicação de reportagem no site da revista IstoÉ acerca da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Suposta ou falsa delação: poucas horas depois, o senador emitiu nota desmentindo não apenas o teor da matéria, mas o próprio ato da delação em si.

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Falsa ou não, já que a manutenção do seu sigilo estaria em discussão entre os promotores da Lava Jato e o ministro Teori Zavascki, do STF, o fato é que entre a divulgação da delação e o desmentido, já estava feito o estrago. Com um conteúdo que implicaria a presidente da República Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a revista jogou gasolina na disputa política, com um desfecho ainda imprevisível.

Por um lado, há quem diga que o conteúdo, falso ou verdadeiro, já cumpriu sua função de desgastar o governo e abalar a sustentação do mandato da presidente Dilma, além das intenções de Lula para 2018.

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Mas há dentro do próprio governo aqueles que analisam que o vazamento de um falso teor bombástico mais ajuda que atrapalha: desarmaria a bomba relógio em que Delcídio prometia se transformar na discussão sobre a cassação de seu mantado que se avizinha. Ao colocar o pior cenário na mesa e depois mostrar que ele não é verdadeiro, estaria destruída a credibilidade do senador.
Será preciso aguardar os próximos capítulos. Mas qualquer que seja o cenário, quem está verdadeiramente feliz com esse imbróglio é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Na semana em que o STF acatou denúncia da Procuradoria Geral da República contra o parlamentar, tornando-o de fato réu da Lava Jato por corrupção, ele saiu completamente dos holofotes e ganhou apenas menções marginais na grande imprensa.

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