A dengue e os novos gestores municipais

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Marcos Boulos

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Giovanni Guido Cerri

Com a proximidade do verão e do período de chuvas, a transmissão de dengue tende a se intensificar nos estados brasileiros com climas mais propícios à proliferação do Aedes aegypti, vetor da doença.

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Há razões de sobra para que gestores de saúde e sociedade estejam atentos. No início de 2011, o sorotipo 4 da dengue chegou a São Paulo e, agora, circula em todas as regiões do Estado, tornando praticamente toda a população suscetível de contrair dengue. Outro fator de preocupação é o atual grau de infestação do Aedes em residências de alguns municípios paulistas.

Mais do que isso, ao serem infectadas com o tipo 4 do vírus da dengue, pessoas que já contraíram anteriormente um dos outros três sorotipos existentes podem apresentar formas graves da doença, como a febre hemorrágica.

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No ano passado o governo do Estado lançou um grande Plano de Intensificação das Ações de Vigilância e Controle da Dengue que mobilizou prefeitos e gestores de saúde de 283 municípios paulistas considerados prioritários.

Depois da grande epidemia de 2010, os dois anos seguintes registraram quedas significativas na transmissão da dengue. Neste ano, o número de casos confirmados no Estado de São Paulo é 75% inferior a 2011, segundo balanço do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). Mas a batalha contra a doença está longe de terminar, e não é possível baixar a guarda, de maneira nenhuma.

Segundo diretrizes do SUS (Sistema Único de Saúde), as prefeituras têm papel fundamental no controle de vetores como o Aedes aegypti. É fundamental, portanto, que o combate à dengue esteja no topo da lista de prioridades dos novos administradores municipais que assumirão seus cargos em 1º de janeiro de 2013. Esta preocupação, inclusive, deve estar na agenda de transição dos governos, desde já.

O comprometimento dos novos gestores de saúde dos municípios, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, Ministério da Saúde e sociedade, será fundamental para conter o avanço da dengueem São Paulono próximo ano.

Há de se ressaltar que, além do necessário combate ao vetor da doença, as Unidades Básicas de Saúde, porta de entrada do SUS, devem estar absolutamente preparadas para receber, triar, identificar e tratar pacientes com hipótese diagnóstica de dengue. A rápida intervenção pode evitar o agravamento do quadro clínico.

Para auxiliar no manejo clínico dos casos suspeitos a Secretaria oferece, desde o ano passado, aos serviços de saúde, treinamentos rápidos, de 15 minutos, no próprio local de trabalho onde médicos e profissionais de enfermagem atuam.

Em que pesem as ações do poder público, e enquanto a vacina contra a dengue não chega, a participação social no enfrentamento do vetor da doença é particularmente essencial, uma vez que, sabidamente, 80% dos criadouros do Aedes aegypti estão no interior dos domicílios.

Além disso, é preciso estar atento aos sintomas da dengue, que geralmente iniciam de uma hora para outra e duram entre cinco e sete dias: febre alta (39° a40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele e dor abdominal (principalmente em crianças). Nesses casos as pessoas devem buscar auxílio médico e jamais se automedicar.

Contamos com o indispensável apoio de todos os paulistas nesta batalha pela saúde pública e pela vida.

Marcos Boulos, 67, médico infectologista, professor-titular da Faculdade de Medicina da USP, é coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

Giovanni Guido Cerri, 59, médico e professor-titular da Faculdade de Medicina da USP, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo

 

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