A luta dos estudantes é a da classe trabalhadora

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Chamou a atenção nos últimos dias o bonito exemplo dado pelos alunos de escolas estaduais que se levantaram contra um sistema educacional sucateado, ocupando ruas e escolas e se fazendo ouvir.
O fechamento de 93 escolas é medida inaceitável, quando 15% dos colégios possui lotação acima do previsto pela Secretaria da Educação, média muito superior à nacional de 9,6% (goo.gl/ks6YGq).
Isso, sem falar na verdadeira “bagunça” promovida pelo governo do Estado de São Paulo, prevendo o deslocamento de diversos jovens para lugares distantes em alguns casos e, em outros, totalmente desconhecidos.
Violando o Estatuto da Criança e do Adolescente, ainda, o governo não teve pudor em usar a repressão policial contra os meninos e meninas que bravamente seguiram defendendo suas escolas.
É importante lembrar que esses jovens são os filhos da classe trabalhadora, e, por isso, compartilham do sofrimento causado pela falta de transporte público, saúde, moradia e educação.
Ou seja, a luta dos estudantes é a mesma da classe trabalhadora: uma luta contra a retirada de direitos, contra a precarização das condições de vida, contra a privatização dos serviços públicos, a favor da democracia e contra todos os preconceitos.
Aliás, falando em preconceito, é bom lembrar o que dissemos sobre a maioridade penal (goo.gl/sduwco):
“O que considero importar para a classe trabalhadora é que ela é a única destinatária da redução da maioridade penal. Se você leitor é branco e rico, não se preocupe: a chance de seu filho, se cometer um delito, ser colocado na prisão por conta da redução da maioridade é quase zero. Sabemos que nosso sistema prisional é feito sob medida para punir prioritariamente os setores mais vulneráveis da sociedade.”
Enfim, num momento de tantos retrocessos, a luta dos estudantes das escolas públicas ocupadas – que é uma das frentes da luta da classe trabalhadora – nos ensinou aquilo que os Racionais MCs já diziam no início dos anos 2000: “Ei irmão nunca se esqueça, na guarda, guerreiro, levanta a cabeça, truta, onde estiver seja lá como for, tenha fé porque até no lixão nasce flor”.

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Maximiliano Nagl Garcez, Advogado e consultor de entidades sindicais e diretor para Assuntos Legislativos da Associação Latino-Americana dos Advogados Laboralistas (ALAL). Com Gabriel Franco da Rosa e Paulo de Carvalho Yamamoto, advogados de entidades sindicais, integrantes da Advocacia Garcez.

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