A marca dos 100 dias

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O folclore político brasileiro instituiu uma espécie de tradição em produzir-se avaliações de mandatos para quaisquer cargos eletivos após 100 dias de exercício. Executivos e legisladores preocupados em prestar contas de suas ações à frente das posições às quais foram conduzidos pelos eleitores, nesta época do ano, tratam de partilhar seus feitos e conquistas. Mais ainda, quando a eleição trocou o poder das mãos de um grupo para seu rival, o fim desse ciclo de uma centena de dias simboliza um demarcador a partir do qual a exposição das eventuais mazelas deixadas pela gestão anterior pouco (ou quase nenhum) benefício produzem à imagem do novo administrador.

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Qualquer que seja a justificativa, é fato que o ciclo imaginário dos 100 dias tem mais a ver com marketing do que com processos de gestão. Exceto pelo fato de que se espera que, a partir desse marco, os novos prefeitos e vereadores, com seus recém-chegados secretários, assessores e técnicos, já dominem as rotinas básicas de funcionamento da máquina pública e comecem a imprimir, aí sim, seu ritmo pessoal aos planos em andamento.

Do ponto de vista administrativo, é pouco tempo. Sob a perspectiva do marketing institucional, por outro lado, cria-se uma expectativa de que, ao final desse ciclo, as novas administrações já caminhem para a definição de uma personalidade, uma marca com a qual seu governo será identificado. Mas o que verdadeiramente fará diferença na conclusão desse período será o novo gestor público e sua equipe terem definido um conjunto de metas e planos que permitam, a partir daí, compatibilizar seu plano de governo apresentado durante a campanha com a realidade e o dia a dia do exercício do mandato.

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