Editorial: A resistência continua

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Osasco, cidade trabalho. Esse slogan não nasceu de uma canetada. Não foi por capricho de um gestor e muito menos por alguma iniciativa de marketing. Foi cunhado a partir do suor e sangue de muitos batalhadores, a maioria anônimos, que ajudaram a transformar em manufatura o produto bruto processado em uma das muitas indústrias que remontam a história deste que é um dos mais importantes municípios do estado de São Paulo.
Suor pelo trabalho, de fato. E sangue porque deste trabalho nasceu a luta e resistência contra um estado opressor. Que tentou negar aos seus cidadãos o direito de protestarem contra condições de trabalho insatisfatórias. Contra os baixos salários. De uma luta pontual por direitos, o movimento tornou-se resistência, em defesa da liberdade e da democracia. Isso, há 47 anos, na histórica greve de 68.

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Tantos anos depois, a história mostra que essa resistência tem que ser permanente. Já não estão em Osasco todas aquelas indústrias do passado. O perfil econômico da região como um todo mudou. Mas ainda é preciso resistir às pressões que tentam emplacar a precarização do trabalho, buscam retroceder direitos e eliminar garantias sociais que foram conquistadas com muita luta.

Na relação entre capital e trabalho, para combater o poder econômico do primeiro, o segundo precisa estar permanentemente pronto para se mobilizar e se levantar contra a injustiça. Sobretudo agora, diante de um Congresso de perfil conservador e de uma conjuntura social e política que tenta empurrar o governo federal, em nome da governabilidade e da estabilidade do mercado, a fazer concessões preocupantes e ajustes que ainda pesam mais sobre as classes menos favorecidas do que sobre os especuladores e poucos privilegiados.
O momento mostra, mais do que nunca, que a resistência tem que continuar.

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