“A saúde é a principal preocupação”, diz Jaci

“A saúde é a principal preocupação”, diz Jaci

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Eduardo Metroviche
“Temos 16 km² de zona industrial livre; temos uma Jandira para crescer só na área industrial”

Com fama de falar duro, pouco, e trabalhar mais, o vice-prefeito de Itapevi, engenheiro Jaci Tadeu, do PV, foi eleito com a proposta de dar continuidade à administração da atual prefeita Ruth Banholzer (PT), quem considera


Qual será sua primeira medida ao assumir, Prefeito?
 “um tremendo cabo eleitoral”. Em visita ao Jornal Visão Oeste, ele falou da prioridade à Saúde, das medidas contra enchentes e a preocupação de ordenar o crescimento da cidade.

Eu vou começar nomeando uma nova equipe. Tem muita especulação: quem vai, quem fica, quem é, quem não é. Ontem me ligaram perguntando quem era secretario. Eu falei: dia 2 de janeiro você me pergunta. Porque dia 2 de janeiro eu sou prefeito. Até lá não, então tudo isso é especulação. A primeira coisa a fazer, acredito, é uma ação muito forte nas pessoas, nos cargos, objetivando o quê: a saúde. A saúde é a principal preocupação.

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É mais difícil montar uma equipe vai continuar um governo anterior? Porque você tem que agradar antigos e novos aliados…

Eu não diria nem agradar antigos e novos, acho que não é isso. É que há antigos que merecem ficar e, por uma conjectura política, eu tenho que abrir espaço. E há antigos que terão que ceder espaço por uma questão de tempo, de idade, de situações do dia dia. E você cria um vínculo de amizade com as pessoas. Então quando é novo é mais fácil, você não tem vínculo com o passado e você só pensa no futuro. E eu não pretendo fazer grandes modificações não. Não é a minha intenção até porque em time que está ganhando não se mexe. Vai ter, pelo contrário, melhorias, ações pontuais, mas a intenção não é mexer muito não.

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Os secretários, em sua maioria, serão mantidos?

Eu não fiz as contas ainda, mas… Gostaria de fazer mais modificações, mas é claro que existe muita conversação, muito detalhe ainda tem que ser resolvido. Mas não tem que se mexer muito. Tem que aprimorar, azeitar.

Quais serão as primeiras medidas tomadas na área da saúde?

Eu não tive chance ainda de me aprofundar na Saúde. Tive condições de fazer isso em algumas secretarias, como a Educação, que é uma secretaria grande, que também é preocupante. Na Saúde serão modificações pontuais. Mas sem sombra de dúvida, no atendimento. Porque nós temos médicos bons, temos bons espaços físicos, e às vezes pecamos no atendimento. Quantas e quantas vezes eu não ouvi reclamação de um bom funcionário não dava bom dia. Então isso me marcou muito. Não reclamavam do aparelho porque não estava funcionando, não reclamavam do médico, porque o médico estava ali. Reclamavam do bom dia. Então são ações muito mais motivacionais, corretivas. E isso eu vou deixar pra uma equipe nova, que está vindo. É obvio que os cabeças, que vão administrar essa nova equipe de saúde, está na minha cabeça e eu não abro mão de mexer. A turma fala muito em secretario, em primeiro escalão. Eu estou muito mais preocupado com o segundo escalão. Porque o segundo escalão que faz as coisas funcionarem.

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Itapevi tem atendido pessoas de outros municípios?

Tem. A ordem de 20%, é alto. Numa margem 1.300/1.400 pessoas por dia, você atender 20% é em torno de 250/300 pessoas/dia. É alto.

Quando você fala que está preocupado com o segundo escalão isso tem a ver com o seu perfil de alguém que é “mão na massa’, que vai para rua trabalhar?

Acho que é o que está faltando. A gestão do dia-a-dia, de acompanhar mais de perto. Acho que vai resolver metade dos problemas. E é do meu perfil né. Os amigos já querem fazer modificações no gabinete. Eu não quero nem saber do gabinete, quem vai ficar, se é a porta, a cadeira, eu nãos serei um cara de gabinete.

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Como foi durante a campanha pra você conter um pouco esse perfil de debater com as pessoas? Um perfil diferente dos políticos tradicionais? 

Olha, eu contabilizei. Eu tinha 90 dias pra engolir sapo. No dia seguinte eu tinha 89, 88. E foi assim que eu consegui. Foi exatamente. Porque se eu entrasse com a minha truculência, não ia dar certo. O pessoal ficou mais pilhado do que eu. Achei legal isso aí (risos).

Você enfrentou, logo após a eleição, a maior enchente que a cidade já viu. No seu programa como está o enfrentamento desse problema crônico de Itapevi?

Problema crônico de anos. Quando eu era garoto eu já passava pelo centro da cidade com água no corpo. Itapevi é isso: você tem o centro da cidade, e tem cinco pontos de afluentes. Então com o que você tem que se preocupar? Com a saída. O que aconteceu em Itapevi nessa última enchente, não foi o problema da enchente em si. Porque a limpeza, manutenção dos rios, dos bueiros foram feitas. O que não foi dado foi o escoamento na jusante [parte mais baixa] e, no caso, no município de Jandira. Houve o deslizamento do aterro lá, diminuiu a área do leito do rio e aquilo represou. Nós estamos canalizando o nosso rio. E a partir do momento em que canalizar, com a canalização de Jandira que tem sequência, isso resolve totalmente o problema. Tecnicamente, as soluções que foram dadas vêm funcionando. E a definitiva é a canalização dos rios.

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Essa obra, com recursos do PAC, que quase não tinha contrapartida do município, como está?

Está na fase de detalhes finais. Acredito que no começo do ano começa a ser executada. Vai dar pra gente inicialmente fazer uma média de 100 metros de canal por mês. Então a parte crítica, que é da Jusante, acredito que até o meio do ano já estará sanada.

Mas Itapevi vai continuar sempre dependendo dessa limpeza da parte de Jandira, ou não?

Não. O projeto é resolver o problema das enchentes na cidade. Nós estamos com uma parte do dinheiro, que é a parte da jusante, a parte baixa. Depois ainda tem a parte alta, piscinões, retenção, todo um sistema hidráulico pra resolver o problema definitivamente.

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E essa obra está prevista pra quando?

É obra pra uns dois anos. Dois anos e meio. Entre 24 e 30 meses.

Mas depende desse prolongamento da obra em Jandira?

Não. Se eles não resolverem, eles vão se afogar daqui a pouco. Aí eu serei o problema deles. Hoje são eles me causam problema, mas se não fizerem a lição de casa, nós é que vamos causar problema pra eles.

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Com as novas administrações eleitas há uma expectativa de fortalecimento da integração regional. Você partilha dessa expectativa?

Completamente. Primeiro que nós temos hoje uma secretaria de negócios metropolitanos, que foi criada recentemente, algo em torno de dois anos. Agora que está havendo uma integração um pouquinho maior dos 39 municípios. Aparentemente está um pouco política ainda essa ação. Com a chegada da eleição isso deu uma parada. E quem são os titulares? Os prefeitos. E tem que começar a partir, propriamente dito, para resoluções e menos conversa. Nós queríamos colocar, por exemplo, usina de reciclagem de sólidos, de entulho. Fomos buscar dinheiro no Ministério da Cidade. Qual foi a exigência? A cada 3 municípios, uma usina. E não foi conseguido colocar isso pra frente. Por quê? Porque os municípios não participavam. Ah! O meu problema não é esse! Por enquanto, mas numa questão de tempo, será. Sempre houve o salto alto deste e daquele prefeito. Eu já tive oportunidade de conversar com o Gê [Geraldo Teotônio, do PV, eleito em Jandira], voltar a conversar com outros prefeitos, justamente pensando nisso. Porque o problema de um, é de todos. A solução de um, é de todos. Por exemplo, o trânsito, tão criticado pelos meus adversários, eles não andam em Carapicuíba, não andam em Osasco, Jandira, Barueri. Só em Itapevi que tem trânsito. No jogo político vale tudo? Até que ponto? Mas qual a solução que os outros municípios estão dando? Nós já temos, já está em andamento. Não é um discurso político.

Qual é a solução?

Primeiro, fazer o desvio do trânsito pesado da cidade. Nós já estamos pensando num acesso pra área industrial por dentro do município, já está em fase de desapropriação. Temos um desvio por uma empresa que vai se instalar na entrada da cidade e a área dela vai quase à divisa de Vitápolis. Quem vem de Vitápolis, Cardozo, São Francisco, São Luiz de Taparica, Jandira, não precisará entrar mais no centro da cidade. E nós tempos uma alça do viaduto para entrar paralelamente à linha do trem. Já estamos viabilizando a verba para isso. Quer dizer, se eu fizer as três ações são suficientes. Nós vamos resolver o nosso problema. Agora, se você parar pra pensar, porque tem trânsito na cidade? Foi logo depois que o pedágio se prolongou. Existe muito desvio de pedágio pelo centro da cidade. Itapevi por exemplo, da 5h30 da tarde às 19h da noite. Cotia, Vargem Grande, São Roque, Mairinque, Taboão…

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Isso também não é um reflexo do crescimento da cidade?

Por exemplo, hoje nós temos 73 mil veículos com chapa de Itapevi. Em 2005 era pouco mais de 20 mil. Triplicou a quantidade de carros. As empresas que foram para Itapevi levaram seus carros, colocaram IPVA, mais o trânsito das pessoas que cruzam a cidade. A cidade é mal sinalizada, isso eu concordo. Porque se você pode fazer desvios de trânsito, tem que ter boa sinalização. Então o problema de mobilidade urbana existe, nós tentamos por várias vezes buscar verba e não conseguimos. A prefeitura é como a reforma da casa da gente. Você não faz de uma vez, tem que priorizar. Diferentemente da minha cabeça. Zona Azul será de imediato, assim como sinalização urbana. Buscar a descentralização através desses desvios, dos projetos que estão em andamento, é prioridade. Se eu não priorizar agora em janeiro, em dezembro de 2016 ainda continuarão lá. No 1º, 2º, 3º ano acontecerá. É o caso de hoje viabilizar alguns milhões de reais pra fazer um viaduto.

Itapevi teve muitas parcerias com o governo do estado e governo federal. Foi uma das cidades da região que mais teve investimento, mais cresceu em termos orçamentários…

Itapevi hoje é o terceiro orçamento da região. Esse ano de 2012 passou da ordem de R$ 660 milhões. É a empresa que veio, o comércio que veio, a geração de emprego e o trabalho dado a essas parcerias com o governo federal.

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E o potencial de crescimento? Porque ao contrário das cidades no seu entorno, Itapevi ainda tem espaços para serem ocupados. Quais são os seus planos para esse crescimento?

É justamente ordenar esse crescimento. Se não ordenar esse crescimento, daqui a pouco ele deixa de ser positivo e passa a ser negativo. Vou te dar exemplos práticos disso. Se eu der viabilidade de acesso aos locais, eu valorizo os locais e viabilizo o empreendimento. Se eu não der ele passa a ser um gueto. Se eu não permitir que na área industrial haja comércio de grande porte, ele vai comer, vai abastecer, vai comprar o dia-a-dia fora. E com o centro caótico ele não vai vir para Itapevi. Vai pegar a Castelo Branco. Então eu tenho que pensar em todos esses itens para dar condições de crescimento. Nós colocamos gás natural; estamos colocando uma subestação em parceria com um empresa privada, de 6 mil kVAs, em Ambuitá, que é a inicial.[Estamos implantando] viabilidade de acessibilidade a essas áreas industriais por outros caminhos. Acompanhando de perto o crescimento da malha rodoviária através dos ônibus. Acompanhando muito em cima a CPTM.

Qual a perspectiva de crescimento do orçamento nos próximos 4 anos?

Eu gostaria de chegar a R$ 1,1 bilhão em quatro anos. Quase que duplicar, é minha meta. Você fala: é possível? É. Temos 16 km² de zona industrial livre. Jandira tem 17km. Temos uma Jandira para crescer só na área industrial. Fora as zonas mistas, que eu posso colocar. Fora o crescimento na área habitacional que eu tenho que me preocupar. Tenho projetos na área habitacional para desfavelização, para a população da cidade. Não quero trazer gente de fora não. Nós temos um problema ali, nós temos que resolver o problema da população. Significa trazer o Minha Casa, Minha Vida, que muita gente acha que é obrigação da prefeitura e não é. É um programa do qual a iniciativa privada tem algumas condições pra poder viabilizar. Isso é um ponto. O que a prefeitura pode fazer? Trazer conjuntos habitacionais pra tirar pessoas de áreas de risco, riso 1, 2, 3 e 4. Já temos isso mapeado na cidade. Risco 4 é o máximo. Temos por volta de 300 famílias nessa situação. Nós temos que tirar e ocupar essa área com lazer, com uma outra coisa, pra que não haja uma nova ocupação. A arrecadação, se chegar a 1 bi daqui a quatro anos, você toma um fôlego. Se administrar de forma correta, você dá grandes saltos.

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Já pode se dizer que o [vice prefeito eleito] Flaudio vai ser seu articulador político?

Não que ele seria meu articulador, mas tem tudo pra ser. Pela postura dele, é um baita de um parceiro. Existe um nível de amizade entre a gente fora da política, um nível de respeito muito grande. Eu acredito piamente que vai ser um grande articulador, justamente porque ele quer que dê certo.

E como fica a relação de forças da Câmara?

Eu não estou me envolvendo muito no Legislativo por enquanto. O que deu pra sentir que de 17 vereadores, 11 estão conosco e tem 3 namorando. É o que eu sinto. Quem vai ser o presidente da Câmara? Vou deixar que eles decidam. Tem que haver essa autonomia na Câmara, tem que respeitar. E dar condições pra que eles façam uma boa administração. E depois cobrar.

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A Ruth está participando dessa articulação?

Está havendo uma articulação natural. O Flaudio está participando, ativamente. Conversa, bate papo, ouve, e isso, é claro, participando de forma indireta, não diretamente. Não dá pra separar. É claro que eu estou participando, mas de uma forma muito de respeito. Converso, direciono idéias. A gente vai sentindo. Todo mundo tem uma expectativa como vereador, temos 10 novos vereadores. Eles têm uma expectativa. Você não pode frustrar.

Como ficou sua relação com o Teco? Ele se torna a segunda força política na cidade. E Caramez em terceiro. 

Ambos têm meu respeito, assim como também sou respeitado por eles. Talvez eu tenha ganhado a eleição porque eles não me respeitavam.

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Essa eleição significou o fim da rivalidade com a família Caramez?

Eu não vejo como rivalidade, me dou muito bem com ele [o deputado estadual João Caramez]. Tenho uma relação muito boa, até porque somos filhos da cidade. Fomos vizinhos, de pais vizinhos, tem uma história toda aí. A rivalidade maior sempre foi com a Ruth. Que foi rivalidade política, nada mais do que isso. E há necessidade de uma aproximação, até porque eu tenho interesse, ele também tem. Da minha parte tenho muito respeito e diria pra você que nós vamos conversar. Eu só não conversei com ele [ainda] porque não tive tempo. Ele é uma pessoa que jogou duro, mas não foi desleal. O outro grupo foi desleal. Jogar duro vale à pena.

A Ruth foi um bom cabo eleitoral?

Um tremendo cabo eleitoral. A Ruth é porreta. A gente se dá muito bem. Tem hora que ela é mãezona, parceira, se dá muito bem com a minha esposa; ela é ímpar. Se tivesse planejado não tinha dado certo; aconteceu porque a natureza quis que acontecesse.

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