A tensão PT x PMDB (ou apenas mais do mesmo)

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Às vésperas das eleições, no momento mais atribulado das articulações para a definição das candidaturas aos governos dos estados, o clima esquenta nos corredores da política brasileira com as notícias do estranhamento entre o PT e uma parcela do PMDB, liderada pelo deputado Eduardo Cunha (RJ), líder da legenda na Câmara dos Deputados. Prato cheio para lobistas e analistas de todas as correntes.

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Mas há de se ler atentamente as entrelinhas e as palavras ditas em tom mais baixo. Quando Eduardo Cunha despista e chama a situação de momento para uma DR (discussão de relação, da expressão popular), entrega a estratégia de sempre: a véspera é a hora preferida pelos aliados para reivindicarem maior participação no governo, mais verba e mais espaço nos estados. De novo, para não fugir ao padrão, com a faca no pescoço.

Quanto o PT estará disposto a fazer em concessões em troca desse equilíbrio

Apesar da polêmica instaurada, sobretudo na imprensa, o movimento não é novidade. É mais do mesmo e, sob qualquer aspecto, previsível até. Primeiro porque é recorrente nas vésperas. Basta colocar em retrospecto as últimas três eleições. Segundo, porque é recorrente quanto à origem. Sempre o PMDB. E a explicação é bem prosaica: trata-se do mais poderoso aliado do PT, numa realidade que perdura desde a aliança formada no primeiro mandato do presidente Lula.

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Graças à sua capilaridade e distribuição geográfica, o PMDB sabe o que que representa no tabuleiro e, como agremiação tradicional da política brasileira, como ninguém domina o xadrez dos acordos políticos e do fisiologismo como ideologia partidária.
Os analistas de plantão duvidam de uma ruptura de fato. Mas a pergunta, como em toda véspera, é o quanto o PT estará disposto a fazer em concessões em troca da manutenção desse delicado equilíbrio.

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