Agradar a gregos e troianos

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O anúncio das primeiras mudanças na equipe ministerial da presidente Dilma Rousseff para o próximo mandato dividiu opiniões entre os próprios aliados do governo. Mas a batalha mais dura, até agora, parece ser a enfrentada diante do fogo amigo. Se por um lado Dilma fez um afago no mercado, apresentando os nomes de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa para a pasta do Planejamento, e a manutenção de Alexandre Tombini no Banco Central, por outro preocupou os setores mais à esquerda do grupo de apoio ao Planalto. É difícil agradar a gregos e troianos. Mas é preciso ter uma leitura realmente coerente da composição da nova equipe. A austeridade fiscal e retomada do crescimento foram temas centrais do plano de governo da então candidata.

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É preciso ter uma leitura coerente da composição da nova equipe

Mesmo assim, é preciso avaliar com bastante atenção o anúncio, nesta quinta-feira, 27, do futuro novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quando disse que vai buscar um superavit primário de 2% ao longo do tempo e manter a inflação no centro da meta, de 4,5%. Com esses indicadores, a nova equipe não reinventa a roda. Mantém o foco no tal tripé da macro-economia (meta de inflação, ajuste fiscal e câmbio flutuante), mas não propõe um crescimento mirabolante do PIB que venha a cobrar seu preço das políticas sociais e de redistribuição de renda. Até porque, em grande medida, foram essas políticas, no final das contas, que nos últimos 12 anos deram alento à economia brasileira.

Mas destoou, de fato, o anúncio da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). Líder da bancada ruralista, umas das mais conservadoras do Congresso, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, ela representa tudo aquilo que o PT e a maior parte dos aliados sempre combateram na política agrária e ambiental brasileira.

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