Após ponto eletrônico, Itapevi sofre com “fuga” de médicos

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Vídeo filmado por celular mostra médico dormindo em posto de saúde, enquanto população espera sem atendimento / Foto: Reprodução TV Record
Vídeo filmado por celular mostra médico dormindo em posto de saúde, enquanto população espera sem atendimento / Foto: Reprodução TV Record

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Fernando Augusto

Uma nova maneira de fiscalizar a presença dos médicos tem trazido o caos para os postos de saúde de Itapevi. Atendendo a uma decisão judicial e com o objetivo de evitar que os médicos trabalhassem horas a menos do que o estabelecido, a prefeitura implantou um sistema de ponto eletrônico por impressão digital nas unidades de saúde. O problema é que a medida não foi aceita pelos profissionais de saúde. Enquanto alguns pediram demissão, outros já foram flagrados fazendo corpo mole e deixando a população em apuros.

Dezenas de profissionais pediram demissão

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No pronto-socorro do bairro Engenheiro Cardoso, por exemplo, um homem filmou com o celular um médico dormindo em uma sala com colchão e tudo. A filmagem foi ao ar em matéria na TV Record no início desse mês. De acordo com denúncias de funcionários do pronto-socorro, antes da implantação do ponto eletrônico, médicos trabalhavam apenas seis horas, enquanto recebiam para trabalhar por 36.

A demora para atendimento devido à falta de médicos acontece pelo menos desde o início do mês. A aposentada Tercides de Moraes relatou ao Visão Oeste o que passou nos dias 4 e 5. Com diarreia, ela precisou ir ao pronto-socorro Central, já que não havia médicos no PS Rainha, Jd. Suburbano ou Amador Bueno. “No primeiro dia [no PS Central] cheguei às 8h40 e fui atendida às 17h30”, conta. A informação é de que só dois médicos atendiam no local. No dia seguinte, para apenas mostrar um exame ela foi um pouco mais cedo, às 8h15, mas só deixou o posto às 17h. “Estava muito lotado, inclusive muitas crianças com dengue esperando para serem atendidas”, disse Tercides.

Pronto-socorro central recebeu muitos pacientes / Foto: Divulgação
Pronto-socorro central recebeu muitos pacientes / Foto: Divulgação

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Prefeitura defende medida e vai contratar novos doutores

A prefeitura confirma que o pico do problema aconteceu durante o feriado prolongado de Carnaval e nos dias seguintes.
O prefeito Jaci Tadeu (PV) defendeu a adoção do novo sistema que, segundo a prefeitura, “é corajosa e tem caráter de organização. Temos certeza que não incomoda os bons profissionais”. “Estamos cumprindo muito mais do que uma decisão judicial: estamos organizando o serviço de atendimento médico em Itapevi. Todo servidor concursado já utiliza o sistema biométrico (ponto eletrônico) e esta é mais uma forma de qualificar a atenção ao cidadão”, disse o prefeito.

A administração municipal informou que dezenas de médicos pediram demissão após a implantação do ponto eletrônico, enquanto alguns pediram redução da carga horária. Com isso, houve grande fluxo de pacientes para o pronto-socorro Central.
Foi aberto novo concurso para a contratação de médicos e outros já aprovados em concursos anteriores estão sendo chamados. Segundo a prefeitura, 61 novos médicos já estão sendo contratados e terão de cumprir toda a carga horária.

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