“Aprendi a lutar pela sobrevivência”

“Aprendi a lutar pela sobrevivência”

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Foto: Eudes de Souza/CMO
Foto: Eudes de Souza/CMO

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Leandro Conceição

Uma história de superação e luta. Assim pode ser definida a trajetória da coordenadora da Mulher e Promoção da Igualdade Racial de Osasco e ex-vereadora, Sônia Rainho, de 72 anos.
Nascida em Bauru e moradora de Osasco há mais de 50 anos, marcados pela atuação em movimentos de moradia e por direitos humanos, Sônia Rainho foi homenageada este mês com a entrega de título de Cidadã Osasquense na Câmara Municipal.

“Ajudei a encher muita laje, com prazer”

Vinda do Paraná, a ex-boia fria, mais velha de 21 irmãos, chegou à cidade junto ao marido, o caminhoneiro Odilon, em busca de oportunidades de trabalho e renda próximo à Capital paulista.
“Compramos um terreno no [bairro] Bel Jardim, construímos um cômodo e viemos morar”, lembra. “Aprendi a fazer a luta brigando pela sobrevivência, sempre junto às companheiras. Osasco não tinha nada, água, guia, sarjeta, ônibus, escola, asfalto, posto de saúde, maternidade, nada”.

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Trabalhando em uma creche, via os problemas causados pela falta de proteção social às crianças e adolescentes e adotou a causa. Depois, aderiu à luta pela moradia popular.
Participou de diversas ocupações, com o Centro de Cooperação por Moradia Popular 1º de Maio, do qual foi presidente e fundadora, há mais de 20 anos, e a Associação Terra é Nossa, no Jardim Piratininga,

Sônia Rainho se enche de orgulho ao lembrar das mais de 2 mil moradias construídas nos movimentos de moradia dos quais participou ativamente. “Tudo feito junto com as pessoas, comprando a terra, definindo o projeto dentro da lei para ser regular. Ajudei a encher muita laje, com prazer”, afirma. “O trabalho em mutirão ajuda a gente a se unir, todo mundo se conhece pelo nome, conhece os filhos, a família”.
Paralela à luta junto às comunidades, ingressou na política. Primeiro no MDB, na oposição à ditadura militar. Depois, como uma das fundadores do PT, ao qual é filiada até hoje, em Osasco.

“Eu vivi”
Ela fala com orgulho sobre seus três filhos, Estela, grande parceira de luta, Marcos e Neide, que morreu com apenas dois anos; sua trajetória, e assegura: “viveria tudo de novo”. “Eu vivi. E fiz tudo o que quis fazer, sempre lutando pelo bem e junto com as pessoas”.
A lamentar, a decadência do carnaval osasquense, para o qual inclusive já compôs sambas-enredo, e o fato de ainda ver a sociedade brasileira “muito preconceituosa” e por vezes egoísta. “Nossa geração avançou na conquista de bens, mas acho que a gente foi perdendo aquela essência de busca pelo que nos traz felicidade sem ser bens”.

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