Artigo – Cartão Recomeço: uma esperança contra o crack

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Celso Giglio*

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Droga potencialmente devastadora, o crack promove um rastro de destruição não apenas nos seus dependentes, mas nas famílias que vivem o drama de ver seus filhos, pais ou irmão vencidos pelo vício.

A complexidade do problema exige não apenas um esforço conjunto de todas as esferas de governo e da sociedade civil organizada. Exige, mais do que tudo, uma abordagem totalmente nova.

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E é exatamente nisso que o Governo do Estado de São Paulo aposta ao lançar o Cartão Recomeço. Trata-se de uma nova forma de ampliação de vagas e custeio de tratamento de dependentes químicos em comunidades terapêuticas dentro do Programa Estadual de Enfrentamento ao Crack, agora chamado de Programa Recomeço.

O que causa estranheza é que, apesar de ser uma iniciativa humanizada e socialmente responsável, algumas pessoas têm sido veementemente contra. Chegam inclusive a usar nomes maldosos e equivocados para se referir ao Cartão Recomeço. Já está mais do que explicado que o cartão não tem uso comercial. Mas o ataque continua. O motivo? Prefiro desacreditar que seja por desinformação.

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O inovador do programa estadual é que ele não acaba com a validade do Cartão Recomeço, que é de seis meses – tempo considerado adequado por especialistas para a recuperação do individuo.

Após esse período, o dependente continuará a ser atendido: ele passará por oficinas laborais com o objetivo de reinserção social e será acompanhado pela equipe de saúde mental e assistência social do município.

Além disso, o Programa prevê o acompanhamento das famílias dos usuários de drogas em tratamento para fortalecimento dos vínculos. E se a reunião com a família não for mais possível, o Governo do Estado disponibilizará moradias assistidas quando necessário.

Outra “desinformação”, espalhada por aqueles que estranhamente são contra a defesa dos direitos dos que lutam para largar a dependência química, é de que o Governo do Estado excluiu esta ou aquela cidade do atendimento. Já está prevista a ampliação do atendimento via Cartão Recomeço para o segundo semestre de 2013.

Após 60 dias de implantação do projeto, o Grupo Gestor do Programa Recomeço coordenado pelo doutor Ronaldo Laranjeira e formado por representantes das secretarias de Desenvolvimento Social, Saúde e Justiça, irá avaliar o resultado e direcionar as novas demandas por vagas.

É importante ressaltar que o atendimento – ou tratamento – dos usuários de substâncias psicoativas não se restringe às vagas criadas com o Cartão Recomeço. O programa de enfrentamento ao crack é de âmbito estadual. Dessa forma, os dependentes químicos dos municípios que ainda não foram incluídos no cartão podem procurar ajuda no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou no sistema de saúde da sua cidade.

Se o município não possuir vagas conveniadas, pode acionar a rede de acolhimento social disponível no Estado pelos centros de referências de assistência social, conhecidos como CRAS ou CREAS.

Um programa como esse, que atua em todas as frentes, só poderá ser bem sucedido. Ao investir na recuperação e ao tratar o dependente químico como ser humano, o Estado de São Paulo será uma referência no País no enfrentamento ao crack.

* Celso Giglio é deputado estadual pelo PSDB

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