Atingidos por mercúrio na Osram podem ser indenizados

1
Valdivino dos Santos, o advogado Paulo Lemgruber e Elizabeth Chaves Moreira / Foto: Francysco Souza

Valdivino dos Santos, o advogado Paulo Lemgruber e Elizabeth Chaves Moreira / Foto: Francysco Souza
Valdivino dos Santos, o advogado Paulo Lemgruber e Elizabeth Chaves Moreira / Foto: Francysco Souza

publicidade

Fernando Augusto

Deve resultar em um acordo nos próximos meses um dos maiores descasos com a sáude do trabalhador que já houve na indústria brasileira. Principalmente ao longo das décadas de 1980 e 90, funcionários de empresas fabricantes de lâmpadas foram intoxicados pelo mercúrio, e os que estão vivos sofrem com os sintomas do mercurialismo, causado pela exposição ao vapor do mercúrio.

“Tomo quatorze comprimidos por dia”

publicidade

Os trabalhadores com a doença desenvolveram sintomas crônicos e graves, como nervosismo, irritabilidade, depressão, perda de memória, dores de cabeça e musculares, sangramento na gengiva e tremores.

“Tomo 14 comprimidos por dia”, diz Valdivino dos Santos Rocha, que trabalhou na indútria Sylvania, em São Paulo. Parte dos medicamentos ele consegue no Hospital das Clínicas – único local especializado para tratamento da doença -, mas outros ele tem de pagar do próprio bolso.

publicidade

Hoje Valdivino é vice-presidente da Associação dos Expostos e Intoxicados por Mercúrio Metálico, entidade que busca indenização e tratamento médico aos trabalhadores atingidos.
Elizabeth Chaves Moreira, que trabalhou na Osram, em Osasco, sofre com falta de memória e depressão. “Tenho lapsos, os médicos dizem que perdi 50% da memória. Até hoje não consigo sair sozinha de Osasco porque tenho medo”. A depressão foi sentida ainda quando trabalhava, mas a empresa limitou-se a afastá-la das atividades. Hoje ela gasta cerca de R$ 300 por mês com remédios.

Em 2012 duas ações civis públicas foram juizadas contra a Osram: uma do Ministério Público do Trabalho (MPT) e outra da Associação dos Expostos por Mercúrio. O MPT pede indenização por dano moral coletivo, ou seja, dinheiro para ser revertido a instituições que colaboram com os atingidos, como o Hospital das Clínicas. Já a associação quer indenização individual mais assistência médica integral.

Com a pressão das ações, a Osram buscou um acordo, que segundo o advogado da associação, Paulo Roberto Lemgruber Ebert, está em fase final de negociação. O problema é que os trabalhadores que sofrem do mercurialismo devem procurar a associação e se filiarem para receberem as indenizações. A associação tem uma lista com 848 nomes de funcionários nestas condições, mas “95% dos trabalhadores não sabem da possibilidade do acordo”, diz Lemgruber.
O acordo será com a Osram, local onde os casos foram mais bem documentados. Mas há casos de mercurialismo também em pessoas que trabalharam na Sylvania (São Paulo) e Philips (Mauá).

Foto: Antonio Cruz/ABr
Foto: Antonio Cruz/ABr

Caso Shell-Basf é parâmetro

A luta na justiça por indenização a trabalhadores atingidos por substâncias tóxicas teve uma vitória ano passado, quando foi homologado acordo milionário em que a Shell e a Basf terão de indenizar  ex-funcionários de uma fábrica de agrotóxicos em Paulínia, no interior de São Paulo. 1.058 trabalhadores foram afetados e começaram a receber indenizações que, juntas, somam R$ 200 milhões.

Comentários