Barulho: fiscalização e bom senso

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Editorial: Governo precisa ouvir os trabalhadores

As operações de combate aos chamados “pancadões” e ao excesso de barulho de muitos bares e lanchonetes da região têm despertado a atenção, como o leitor pode conferir em matéria na página 5.

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A medida é positiva. Quem vive perto de um estabelecimento ou “fluxo” do tipo – e não consegue dormir ou curtir com tranquilidade momentos com a família devido à barulheira – sabe o quanto isso incomoda; o quanto prejudica a qualidade de vida.
No entanto, cabem algumas ponderações e indicações de medidas que devem ser paralelas ao combate ao barulho.

É importante lembrar que, nas periferias, muitas vezes o sucesso destes bailes e bares barulhentos são reflexo da falta de opções de lazer e cultura, além da baixa renda de boa parte da população brasileira. São uma alternativa de diversão perto de casa, já que não há transporte público na madrugada, não são cobradas entradas e muitas vezes nem é preciso consumir nada. “É só chegar”, como dizem.

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Paquera, música, confraternização com os amigos… O mesmo que atrai o jovem da periferia para o “fluxo” na Cohab de Carapicuíba atrai o jovem mais abastado para a balada na Vila Olímpia. Há, infelizmente, uso de drogas, bebida em excesso, como há em festas seja na Vila Menk ou na Madalena, no Rochdale ou nos Jardins. E em qualquer lugar essas práticas devem ser combatidas.

Feitas essas considerações, espera-se que o justíssimo combate ao barulho esteja acompanhado de ações do poder público para promover alternativas de cultura e lazer aos frequentadores destes espaços. Que não sejam somente mais um mecanismo para aumentar, ainda mais, a marginalização da população das periferias.

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