Bruno Sindona: Não sou caminhoneiro!

Bruno Sindona: Não sou caminhoneiro!

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Bruno Sindona é CEO da Sindona Incorporadora

O Brasil novamente confunde interesses particulares com coletivos. Não consegui encontrar, nas demandas dos caminhoneiros, nada que genuinamente representasse todos os brasileiros.

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Tomemos por exemplo a baixa do preço do óleo diesel. Os caminhoneiros visam que o preço baixe, obviamente para que tenham mais margem no frete, sendo assim um desconto que não seria repassado para o consumidor final. Para o brasileiro comum nada muda.

A solução que o governo encontrou é bancar o desconto com recursos do Tesouro Nacional, ou seja, o brasileiro vai pagar essa diferença. Resumo da ópera: todos pagam mais e os caminhoneiros menos.

Há de se valorizar os profissionais do transporte? Claro que sim! Como há de se valorizar os professores, os empresários, os lixeiros, os produtores rurais, os assistentes sociais, os enfermeiros. Imaginem se cada um desses parassem? Todos estes têm o poder de fazer o Brasil sagrar, mas nem por isso se deve enfiar a faca.

Defendo e sempre defenderei uma população atuante, protestando e fazendo valer seus direitos, mas não a qualquer custo. Não há soluções simples para problemas complexos e não é com chantagem que se resolve um país. Essa  chantagem fez pessoas sofrerem, empresas demitirem, animais morrerem de fome, a economia encolher e tudo isso a troco de quê? O que o brasileiro comum ganhou? Nada, muito pelo contrário, ainda vai pagar a conta.

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E para falar claramente, quantas experiências positivas você já teve com caminhoneiros? Profissionais exemplares? Brasileiros altruístas e nacionalistas? Bastiões da boa educação? Eu acho que não. Nem por isso nossa massa política está correta; também repudio a velha guarda política, mandrakes da democracia. Vamos às ruas por temas de todos! Não para engrandecer o individualismo e o egoísmo de classes.

Devemos resolver nossas doenças e não nossos sintomas. O preço do combustível é o sintoma do câncer do aparelhamento estatal. Da má eficiência do setor público; do cabide de emprego que se tornam as empresas público-privadas e do roubo da arrecadação cascateada para que passe em varias mãos e suma um pouco em cada etapa.

A comida chega cara porque não deveria vir de caminhão. Subam o preço do petróleo e encham as cidades de transporte elétrico, como são os metrôs. Transportem nossa soja por dutos até o porto. Instalem indústrias em todas regiões do país e parem de transportar tudo o tempo todo. É por isso que deveríamos estar sofrendo, não por aqueles que estão fazendo churrasco no acostamento enquanto falta merenda na escola.

*Bruno Sindona é CEO da Incorporadora  Sindona

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