Casos de estupro na região aumentaram 38,2% no bimestre

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Anos após ser palco de assassinatos em série, Parque dos Paturis, em Carapicuíba, registra caso de estupro / Foto: Eduardo Metroviche
Parque dos Paturis, em Carapicuíba, recentemente registrou caso de estupro / Foto: Eduardo Metroviche

Dados // No primeiro bimestre foram registrados 94 estupros nas cidades da região

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William Galvão e Carol Nogueira

Na semana passada mais uma mulher entrou para a estatística como vítima de violência sexual na região. O caso aconteceu no Parque dos Paturis, em Carapicuíba. Ela desembarcou na estação General Miguel Costa e ia em direção à sua casa, quando foi violentada por um homem que passava na rua.

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De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, no primeiro bimestre deste ano foram registrados 94 estupros nas oito cidades que fazem parte do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste (Cioeste).

O número representa aumento de 36,7% em comparação ao mesmo período do ano passado, que anotou 68 casos.

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Outro caso que ganhou repercussão, foi da Thifanny Lina, de 17 anos, em Cotia. O corpo da jovem foi encontrado no dia 21 em área de mata, cerca de 500 metros da casa dela, que ficou desaparecida por três dias.

Cotia foi a cidade da região que teve o maior índice de aumento em casos de estupro em janeiro e fevereiro. No bimestre foram registrados 15 estupros, ante dois no mesmo período do ano passado, alta de 650%.

Carapicuíba também registrou aumento expressivo nos casos: 133% (de seis para 14). Em Osasco, os estupros aumentaram 11,1%. Veja os dados de todas as cidades da região na tabela.


DELEGACIAS DA MULHER

Osasco: rua General Bittencourt, 96, Centro / Tel. 3682-4485.
Carapicuíba: avenida Rui Barbosa, 1582, Centro / Tel. 4184-2616.
Barueri: rua Presidente Arthur da Costa e Silva, 200, Centro / Tel. 4198-1639.
Cotia: rua Turmalina, 99, Jardim Nomura / Tel. 4616-9098.
Itapevi: avenida Presidente Vargas, 305 – Vila Nova.

No país, são 125 vítimas por dia


O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, lançado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2016, registrou 45 mil casos de estupro em 2015. Isso corresponde a 125 vítimas por dia.

Os dados elevados refletem no número de relatos de violência sexual, recebidos na Central de Atendimento a Mulher 180, que divulgou aumento de 129%.

“Tenho um filho do estupro”

“Tenho um filho do estupro”. Foi com a cortante frase que a dona de casa Delma Pinheiro Nogueira, de 54 anos, moradora de Carapicuíba, contou sua experiência 32 anos após ter sido violentamente estuprada e ter sido obrigada a ter a criança.

1984, interior da Bahia, 21 anos e mãe solteira de uma criança, Delma costumava frequentar os bailes, mesmo proibida por seus pais. “Era jovem, bonita, trabalhava em um posto de gasolina servindo comida e, como toda jovem, gostava de me divertir”, diz. “Isso não é pecado”.

Em uma dessas noites, ao aceitar dançar com um homem na faixa dos 40 anos, que “ele achou que podia fazer o que fosse comigo”. “Ele deu carona, deixamos uma vizinha na casa dela. Na volta, ele me apontou um revólver na cabeça, me bateu, me deu socos, me humilhou e o resto você já sabe”, relembra.

Denunciar nunca passou pela ingênua cabeça da mulher interiorana. Ainda mais inserida em um contexto de enorme evasão escolar, sobretudo de mulheres, pobreza e falta de informação quanto a métodos contraceptivos. Além da falta de políticas de combate à violência contra a mulher.

“Naquela época, minha própria mãe me chamou de puta, ninguém acreditou no que tinha acontecido”, lembra.

Grávida e sem saber lidar com a pressão, ela pensou em se matar. Mas a vida seguiu e a relação com o filho sempre foi amorosa.
Hoje, após pouco mais de três décadas, Delma considera esse episódio superado. “É uma coisa que lembro todo dia, mas hoje eu tô vivendo de verdade”.

Delma dá uma orientação a mulheres que passem pela mesma situação que ela: “Tem que denunciar, nenhum homem tem esse direito”.

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