Com cidades contrariando governo, Osasco e região esperam ser liberadas esta semana para flexibilização da quarentena

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Foto: reprodução

Com cidades contrariando a determinação do governo estadual e decretando o início da reabertura gradual do comércio e serviços considerados não essenciais em meio à pandemia de covid-19, os municípios de Osasco e região iniciam a semana com a expectativa de serem incluídos na segunda fase, a “laranja”, do plano de retomada econômica do estado. O governador João Doria (PSDB) deve anunciar possíveis mudanças na quarta-feira (10).

Cidades da Grande São Paulo decidiram contrariar a determinação do governo do estado e decretaram medidas de flexibilização da quarentena. Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a reabertura de escritórios, concessionárias e revendedoras de veículos havia sido determinada por decreto municipal e passaria a valer a partir desta segunda-feira (8). No entanto, a Justiça de São Paulo determinou a suspensão do decreto, após pedido do Ministério Público, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia.

Na decisão, a juíza Tatiana Magoso declarou que “municípios não podem impor medidas menos restritivas de combate à pandemia [que as determinadas pelo estado], devendo prevalecer, em detrimento da norma municipal, a norma estadual de competência estadual”.

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Na região, a manutenção das cidades na fase mais restrita, a “vermelha”, na qual só podem funcionar serviços essenciais, frustrou prefeitos e empresários das cidades que fazem parte do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste (Cioeste), como Osasco, Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Cotia e Jandira. Na segunda etapa, a “laranja”, podem abrir, com uma série de restrições: comércio, shopping, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias.

Um grupo de comerciantes se reuniu para pressionar o prefeito de Itapevi, Igor Soares (PODE), em reunião na sexta-feira (5), por uma reabertura por contra própria por parte do município. “Muitos compreenderam a situação. Outros estão muito angustiados e querem a abertura imediata. Mesmo sem agradar a todos, preciso ser firme e prudente para não perdermos o controle e colapsar o sistema de saúde”, declarou o prefeito.

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Em reunião, comerciantes pressionaram o prefeito de Itapevi por liberação para reabertura / Foto: reprodução

“Em apenas uma semana tivemos aumento de 23,21%. Na sexta-feira passada eram 56 óbitos, hoje já são 69 mortes. Diante disso, a retomada prevista para amanhã está adiada para o dia 10, se Itapevi avançar da fase vermelha para fase laranja”, afirmou Igor Soares.

O prefeito de Barueri, Rubens Furlan, declarou: “Estamos lutando para que o estado coloque nossas cidades na fase laranja, por isso, listamos todos os leitos de UTI e provamos que já temos qualificação. Vamos reforçar o pedido ao Estado para que boas notícias sejam anunciadas. Estamos unidos pela economia e pela saúde da nossa gente”. Até este domingo (7), Barueri registrava 1.316 casos e 132 mortes com confirmação de covid-19.

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O prefeito de Osasco, Rogério Lins, diz que a cidade “atende 100% dos requisitos técnicos para a retomada das atividades”. Ele decretou quarentena no município até o dia 10 e convocou o empresariado para discutir planos para o início da reabertura do comércio.

Osasco registrou, até este domingo (7), um total de 356 mortes e 4.147 casos confirmados de covid-19. A Prefeitura osasquense tem destacado, no entanto que as taxas de ocupação de leitos de UTI/emergência e respiradores, estão dentro das determinações estaduais para a flexibilização da quarentena.

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O governador João Doria declarou, ao anunciar a manutenção dos municípios na fase “vermelha”, que, apesar das pressões, “a retomada da economia será feita de forma gradual, segura e amparada pela ciência”. “Não há pressão de prefeitos, de empresários, do governo federal. Nenhuma pressão será adotada como princípio para a tomada de decisões”, afirmou o governador nesta quarta. “As decisões são com base em indicadores de saúde”.

O governador declarou ainda que “nenhum prefeito vai transformar a sua cidade numa festa de abertura. E nós saberemos exigir isso dos prefeitos. Estamos seguros que essa é uma linha que todos estão seguindo”.

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