Editorial: Com financiamento empresarial, Cunha quer corrupção institucionalizada

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Na surdina, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ligou a ignição para a passagem do rolo compressor sobre os interesses da maioria dos eleitores brasileiros. Depois da derrota dupla na tentativa de instituir o enganoso voto por “distritão” e o financiamento empresarial de campanhas, ele deu um jeito de recolocar a matéria das doações eleitorais na Ordem do Dia. E pior: conseguiu aprovar a doação das empresas para partidos políticos.

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A tentativa de emplacar o “distritão” já foi uma manobra. Mas até então, apenas de marketing. Isso porque o nome fazia a associação ao conceito do voto distrital ou distrital misto”, universalmente aceitos como mais representativos, Mas era um mascaramento: por “distritão” os deputados encobriam o “voto absoluto”, onde ganha quem tem maior número de votos, desconsiderando coletivos e regiões. Vantagem óbvia para os caciques dos grandes partidos, os candidatos “ricos”, campeões de arrecadação, como o próprio Cunha, com evidente prejuízo à democracia.
Mas havia o financiamento empresarial de campanha. E um dos campeões de arrecadação entre empresas não poderia deixar barato. Mesmo havendo acordo com os líderes dos partidos de que a matéria estava encerrada.
As perguntas são: empresa vota? Que interesse tem uma empresa em financiar uma campanha? A pessoa física do empresário, claro, pode e deve ter identidade política. Faz parte da democracia. Mas uma empresa?
De novo, os defensores da prática ludibriaram o povo com argumentos falaciosos, afirmando que se não for assim, dinheiro público será desperdiçado no processo.
O fato é que a manutenção do financiamento empresarial de campanhas é a porta de entrada da corrupção, em troca de vantagens e contratos futuros. E o presidente da Câmara Federal quer que continue assim, ainda que não seja o mesmo que o povo deseja.

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