Entidades e prefeito divergem sobre plano diretor

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Carlão Camargo
"Quem tem a responsabilidade e o dever de fazer o debate é a Prefeitura", diz prefeito / Foto: Eduardo Metroviche

Carlão Camargo
“Quem tem a responsabilidade e o dever de fazer o debate é a Prefeitura”, diz prefeito / Foto: Eduardo Metroviche

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Prefeitura e entidades da sociedade civil ainda não se entenderam sobre o projeto de um novo Plano Diretor para Cotia. Nesta semana, durante evento em Osasco, o prefeito Carlão Camargo (PSDB) desqualificou o debate que vem sendo promovido em conjunto por sindicatos e ambientalistas.

“A oposição primeiro precisa ganhar a eleição. Quiseram tomar uma atitude por contra própria, sem validade nenhuma. Quem tem a responsabilidade e o dever de fazer, consultar e pedir a participação da sociedade, da Câmara Municipal, das associações, é a Prefeitura. Então, aquilo lá não tem validade nenhuma”, disse Camargo.

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As entidades vêm realizando reuniões públicas para reunir propostas para o Plano Diretor. As últimas aconteceram dia 23, em Caucaia do Alto, e no início do mês na Câmara Municipal, ocasião em que dois vereadores participaram da discussão.

A principal preocupação tem sido o crescimento desordenado da cidade.

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Entre as propostas discutidas estão: suspensão de liberação de novos empreendimentos imobiliários por três anos, a não verticalização, a criação de uma “zona de amortecimento” de 10 quilômetros no entorno da Reserva do Morro Grande, para garantir a preservação da área, e compensação ambiental para novos empreendimentos.

Diálogo

Wlad Farias, da ONG Ecoexistir e do Conselho Municipal do Meio Ambiente, diz que “qualquer reunião para discutir interesses da sociedade não precisa ser avalizada por ninguém”.

Apesar das declarações do prefeito Carlão Camargo, ele acredita que a Prefeitura e a Câmara Municipal será sensibilizada com as discussões que já estão ocorrendo. “Estão atentos ao que estamos fazendo e tenho certeza que vão levar em consideração o que está sendo discutido”, afirma.

Entidades reclamam da falta de diálogo do prefeito. “Enviamos ofício à Prefeitura para saber o cronograma de elaboração do Plano Diretor e não nos responderam”, diz Alex da Força, que tem participado das reuniões representando o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.

O prefeito Carlão Camargo disse que o Plano Diretor está sendo elaborado. “Quero fazer um trabalho que ajude em 20 anos do desenvolvimento da nossa cidade”. Leia íntegra da entrevista com o prefeito de Cotia abaixo:

“Quiseram tomar uma atitude por contra própria, sem validade nenhuma”, diz Carlão Camargo

Leandro Conceição

Em entrevista ao Visão Oeste, o prefeito de Cotia, Carlão Camargo (PSDB), desqualificou o debate sobre um novo plano diretor para Cotia iniciado por organizações sociais e membros da oposição sem a participação da Prefeitura.

Carlão Camargo também fala sobre o crescimento imobiliário do município e o trânsito caótico da rodovia Raposo Tavares.

Visão Oeste: Como está o debate sobre o novo plano diretor da cidade?
Carlão Camargo: A gente está formulando um trabalho muito bom. Queremos ampliar essa discussão do plano diretor em Cotia, até para outros municípios. Quero fazer um trabalho que ajude em 20 anos do desenvolvimento da nossa cidade.

O plano diretor começou a ser debatido sem a participação da Prefeitura, com organizações sociais e membros da oposição.
A oposição primeiro precisa ganhar a eleição. Quiseram tomar uma atitude por contra própria, sem validade nenhuma.

Quem tem a responsabilidade e o dever de fazer, consultar e pedir a participação da sociedade, da Câmara Municipal, das Associações, é a Prefeitura.

Então, aquilo lá não tem validade nenhuma. Vamos agora lançar um plano diretor com a Prefeitura. Não quero nem comentar isso [o debate sobre o plano diretor sem participação da Prefeitura] porque foi uma situação desnecessária.

Moradores criticam a invasão de prédios na cidade, criticada por ambientalistas devido ao desmatamento.
Pelo contrário. Nossa cidade é a bola da vez, é a hora certa de Cotia crescer, e está crescendo bastante, como aconteceu também com Itapevi, em Osasco, Barueri. A bola da vez é Cotia.

E não é existe um grande avanço no desmatamento. Hoje nós temos [um crescimento da] população controlada.

E nós temos demanda, principalmente na questão habitacional. Quero [construir] dois mil apartamentos para pessoas de baixa renda. As pessoas que falam nessa questão de especulação imobiliária são pessoas que querem fazer oposição de graça. Vamos fazer a cidade crescer cada vez mais, mas ordenadamente.

Sobre a Raposo Tavares, tem havido alguma conversa com o governo do estado para melhorar o trânsito caótico da rodovia?
Entre Cotia e São Paulo [na Raposo], são aproximadamente 22 quilômetros. E muitas vezes você demora até duas horas. Então, existem vários projetos. O governador [Geraldo Alckmin – PSDB] já pediu para desenvolver o projeto do metrô, já tem um plano de trabalho.

Tem também a questão de um corredor de ônibus, com a EMTU. A responsabilidade é do [governo do] estado, mas também temos a responsabilidade de cobrar.

Jantei com o governador no Palácio [dos Bandeirantes] e falei: ‘governador, a Raposo é um dos maiores problemas que nós temos na nossa região’. Ele falou que sabe disso, tem estudos e vamos preparar para organizar isso o mais rápido possível.

O senhor acredita que até o fim de seu mandato a Raposo Tavares terá um trânsito melhor?
Paralelo a isso [as medidas estudadas pelo governo do estado], temos feito algumas ações dentro do município, ajudado o fluxo do tráfego dentro do município.

Torço muito para a gente resolver ou pelo menos amenizar o problema da Raposo Tavares. Por isso que [Cotia] não cresceu tanto ainda.

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