Crise na saúde privada agrava falta de leitos

1
Secretário José Amando Mota critica omissão do governo do estado na Saúde / Fotos/Eduardo Metroviche

Secretário José Amando Mota critica omissão do governo do estado na Saúde / Fotos/Eduardo Metroviche
Secretário José Amando Mota critica omissão do governo do estado na Saúde / Fotos/Eduardo Metroviche

publicidade

Fernando Augusto

O secretário de Saúde de Osasco, José Amando Motta, diz que o déficit de leitos na região é de cerca de 1.200 leitos. Ele atribui o número à crise na iniciativa privada e também critica o governo do estado. “A crise na iniciativa privada fez com que a gente, no último cálculo, obtivesse esse número bastante assustador”, afirmou o secretário ao Visão Oeste, após participar, na quarta-feira, 2, de seminário sobre o programa Mais Médicos.
José Amando falou sobre a preocupação com a queda na quantidade e qualidade do atendimento de saúde privado. “Se a gente considerar que hospital das Damas, em Osasco, já operou quase 200 leitos, o Hospital Montreal quase 300 leitos, Hospital João Paulo II, no Jd. Agú, operarva 75 leitos, então só reduziu o número de leitos”, lamenta.

Para secretário, Hospital Regional recebeu “maquiagem”

publicidade

O secretário, que é médico, falou também sobre a entrega de parte da reforma do Hospital Regional, em Presidente Altino, feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) dia 22 de maio. Segundo José Amando Mota, o local teve cerca de 150 leitos fechados desde o início das reformas, e somente 23 foram reabertos em maio. Ele acusa o governo do estado de ter feito “maquiagem” na parte do hospital por onde passou a comitiva do governador no dia 22. “Como fui diretor lá e conheço bem, dei umas escapadas e vi que a história não é bem aquela maquiagem que foi feita nos corredores percorridos. A maioria das alas estão ainda exatamente iguais ao que era, piso desgastado, parede com bolor, material jogado”, afirma.

Apesar de admitir que ainda existem problemas no Hospital Central Antônio Giglio, administrado pela Prefeitura, o secretário diz que a unidade é cada vez mais essencial devido à crise na saúde privada e a omissão do estado. “Osasco vem numa situação de ter que trabalhar sozinho, contar apenas com o governo federal, porque o governo estadual gasta R$ 130 milhões para manter o [Hospital] Regional, que deveria atender 15 municípios, mas não vem cumprindo seu papel de atender as especialidades, que não somos obrigados a atender”, reclama.

publicidade

Montreal
Sobre a interdição do Hospital Montreal, no Centro de Osasco, dia 10 de junho pela prefeitura, o secretário José Amando lamentou a perda de leitos, mas disse que a situação era insustentável. Segundo a Prefeitura, o local apresentava riscos à segurança dos pacientes e frequentadores e problemas na cozinha.
“Não é interessante ter esses leitos fechados, mas não podemos permitir que funcionem da forma como vinham funcionando. Torcemos para que um grande grupo de saúde negocie com a Justiça e resgate o hospital”, disse o secretário.

Estado tem quase 2.200 médicos do programa, disse representante do Ministério da Saúde
Estado tem quase 2.200 médicos do programa, disse representante do Ministério da Saúde

Em Osasco, Mais Médicos aumenta número de consultas em 70% 

Na quarta-feira, 2, em Osasco, um seminário fez balanço da implantação e funcionamento do programa Mais Médicos, do governo federal, na região. Os prefeitos de Osasco, Jorge Lapas (PT), e Carapicuíba, Sergio Ribeiro (PT), participaram. Em Osasco, na comparação de maio de 2013 com maio de 2014 foi registrado aumento de 70% no número de consultas.
O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde (SGTES), Hêider Aurélio Pinto, que representou o Ministério da Saúde, disse que a demanda por médicos levantada pelos municípios do estado foi cumprida já em abril. “São mais de 14.400 médicos em 3.800 municípios aproximadamente no Brasil e aqui em São Paulo temos quase 2.200 médicos em mais da metade dos municípios do estado, atendendo 7,5 milhões de paulistas”, disse ao Visão Oeste.

Em Osasco, são 85 médicos do programa, sendo 41 na zona Norte e 44 na zona Sul, segundo a Secretaria de Saúde. Um dos principais efeitos já sentidos, segundo Hêider Pinto, é a redução no número de internações nos hospitais, devido a maior atenção na saúde básica. “No Brasil a gente tem aumento de 35% nas consultas da atenção básica e uma redução de 21% nos encaminhamentos para hospitais. Aqui no estado temos uma redução muito maior nos encaminhamentos, cerca de 70%”, afirmou o representante do Ministério da Saúde.

Ele também destacou que dez Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e duas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) estão sendo contruídas em Osasco.

Comentários