Entre um programa e outro, o raro é sair com alguém higiênico. Na maioria das vezes são pessoas que estão provavelmente há dias sem tomar banho. O preservativo não ajuda muito. Em minha visão, alguns clientes precisariam cobrir todo o corpo com preservativos e não somente o órgão genital.

Tive vontade de vomitar quando um senhor deixou a dentadura cair em cima de mim, mas me segurei. Ele é cliente fiel e eu não poderia perder suas visitas semanais.

Eu nem gosto de homens. Me lembro todos os dias da mocinha que deixei em minha cidade. Ela era a mais linda de todas e um tanto tímida. Foi comigo seu primeiro beijo e, quando ficávamos juntos, ela falava milhões de vezes a mesma frase: “eu te amo tanto, Luan”.

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E por mais repetitivas que fossem as vezes que ela se declarava dizendo a mesma coisa, era uma declaração verdadeira. Eu nunca dei valor, quis pegar suas amigas e até sua mãe que, era nova e bonita.

Deixei minha avó sozinha e vim para as ruas me prostituir, deixei a vida normal pra trás, crente de que iria ganhar dinheiro para fazer o que me era necessário para ficar feliz. Mas não é bem assim. O cheiro de coisa podre é rotina, mas o que mais pesa é o psicológico doente, cheio de arrependimentos.

Minha avó jamais me aceitará de volta em sua casa, porque estou sujo. Aquela mocinha que se declarava para mim todos os dias passou por mim ontem e fingiu que não me viu. Ela me reconheceu, apesar da barba e da roupa manchada, eu sei que ela me reconheceu, mas fingiu que não me viu, porque eu estou sujo.

Estou sujo de casamentos acabados, de ilusões, de esperma, de decepções e principalmente, estou sujo de mim mesmo.

Amanhã vou criar um currículo na lan house e entregar naquele supermercado, vou pedir à tudo que me cuida nesse mundo, que minha vida possa mudar e que, em um futuro próximo alguém olhe nos meus olhos outra vez e diga que me ama. 

Quem sou eu

Sou estudante e moro em Itapevi. Tenho 20 anos e escrevo desde os 11. Acredito que muitos se identificarão com os textos e verão que não estão sozinhos. Amo os animais, assim como amo escrever. E sonho com um melhor mundo para eles.

É muito bom ter você aqui comigo nas “Crônicas da Ju França”. Volte sempre!

 

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