Debate aborda reflexos da ditadura militar

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Professora Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade
Professora Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade

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Entre as atividades que comemoram o aniversário de 51 anos do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, a entidade promoveu na tarde dessa quinta-feira, 24, um debate entre militantes da Greve de 1968, em Osasco, e a professora Rosa Maria Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade (CNV). O encontro abordou as violações dos direitos humanos durante a ditadura militar e os efeitos do regime para a classe trabalhadora.Rosa Cardoso, que dentro da CNV coordena o grupo de trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical, afirmou que o grupo tem realizado muitas mobilizações, atos, audiências e coleta de depoimentos das vítimas.

Para ela, o movimento sindical foi a principal vitima do golpe de 64. “A violação de direito não é somente o assassinato de trabalhadores […], mas também todas as prisões ilegais, que eram verdadeiros sequestros. Não ficava nenhum registro de que a pessoa tinha sido presa”, relatou.

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As investigações da Comissão Nacional da Verdade vão resultar em um relatório, com um capítulo para contar as greves dos trabalhadores, as intervenções nos sindicatos e outras formas de perseguição durante o regime. A produção do texto sobre os trabalhadores e sindicatos é realizada em parceria com o Grupo de Trabalho 13, composto por sindicalistas das centrais sindicais e militantes relacionados ao assunto, entre os quais o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.

“A importância de Osasco ainda não é reconhecida como os outros municípios. Osasco foi realmente um lugar de enfrentamento das políticas da ditadura, sobretudo contra os trabalhadores, que têm que contar essa história melhor”, disse Rosa Cardoso.

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O Sindicato dos Metalúrgicos sofreu intervenção em 1968, seguida de repressão à greve da Cobrasma. Na época, a diretoria foi cassada e o então presidente, José Ibrahin, ficou conhecido por liderar o movimento grevista e por ter sido um dos presos políticos trocados pela libertação do embaixador americano Charles Burke Elbrick.

Comissão Nacional da Verdade

A CNV foi instituída em 16 de maio de 2012, após a criação da lei 12528/2011. A comissão tem como função investigar as graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988. Em dezembro de 2013, a medida  provisória 632, prorrogou o mandato da Comissão Nacional da Verdade até dezembro deste ano.

Comissão Municipal da Verdade 

Durante o evento, discutiu-se também a proposta de criação de uma Comissão Municipal da Verdade, articulada inicialmente pelo professor de Relações Internacionais da Unifesp, Antonio Roberto Spinosa. Ele participou da luta armada contra a ditadura ao lado da presidente Dilma Rousseff. Em abril o projeto de criação da Comissão Municipal, de autoria vereadora Mazé Favarão (PT), foi protocolado na Câmara e segue em tramitação.

A representante da Comissão Nacional informou que espera a constituição de uma comissão municipal da verdade em Osasco. “A existência de comissão da verdade vai ajudar muito a catalisar as lutas e a reconstituição do que foi a violência sofrida no município. Não só recordar fatos, como a existência da casa de tortura em Itapevi, mas também o comportamento de empresas e empresários contra os trabalhadores aqui da região, o que determinou muito o sofrimento da classe trabalhadora”, disse.

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