O Visão Oeste realiza série especial de reportagens sobre os desafios das novas gestões das cidades da região.

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Carol Nogueira

Localizada a 32 km da capital Paulista, Jandira é uma das cidades da Região Metropolitana de São Paulo ainda considerada “dormitório”, devido à falta de oportunidades de emprego e estudo. O município também enfrenta dificuldades na área da saúde, educação com a falta de vagas nas creches e segurança.

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As queixas mais comuns são falta de médicos na rede e má qualidade do atendimento. Assim, muitos moradores acabam se deslocando para outros municípios.

A auxiliar de serviços gerais, Karen Aparecida da Silva, 35, reclama que o Pronto Socorro do Parque Santa Tereza, onde reside, dificilmente tem médicos. E no hospital da cidade, a qualidade do atendimento é alvo frequente de críticas. “O médico nem olhou no nosso rosto, fez várias perfurações nas costas do meu marido, por causa do furúnculo que ele tem, não resolveu o problema e ele está pior”, relata.

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Karen também conta que seu pai também foi sofreu com a má qualidade do atendimento no Hospital de Jandira antes de morrer, há cerca de um ano. “Ele estava com começo de infarto e ficou sete dias esperando um cateterismo. Ele já tinha 68 anos e histórico de problemas no coração, mas não foi atendido e teve um ataque fulminante”, lembra.

 

Hospital é alvo de reclamações e escândalos / Foto: Carol Nogueira
Hospital é alvo de reclamações e escândalos / Foto: Carol Nogueira

Hospital é um dos grandes problemas
Jandira tem um problemático Hospital Municipal, que nos últimos anos foi cenário de diversos escândalos, desde liminar da Justiça pedindo a interdição do local devido às condições inadequadas para prestar atendimento a paralisação de funcionários por salários atrasados, além de denúncias por desvio de dinheiro.
A rede de saúde da cidade também possui dez unidades básicas UBS, um Ambulatório Médico Municipal de Especialidades (AMME), Centro de Referência da Mulher (CRM), Centro de Reabilitação Humana (CRH) e o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO).
O orçamento previsto para investimento em Saúde no município este ano é de R$ 76,3 milhões.

Foto: Carol Nogueira

“Faz um ano que meu pai morreu dentro do banheiro [do Hospital de Jandira]. Ele estava com começo de infarto e ficou sete dias esperando um cateterismo”.
Karen Aparecida da Silva, 35, auxiliar de serviços gerais e moradora do Parque Santa Tereza

Com falta de qualificação e oportunidades, jovens buscam emprego em outras cidades

Jandira também tenta deixar de ser considerada “cidade-dormitório”. Nos últimos anos, o município ganhou novas oportunidades de empregos e negócios, com a criação de um polo industrial e empreendimentos como o primeiro shopping center da cidade.
Mesmo assim, muitos moradores acabam tendo de ir a cidades vizinhas em busca de oportunidades de emprego e renda.
“Pego duas conduções para Alphaville e gasto R$20 por dia, que é descontado do salário. Se tivesse algo mais perto seria melhor”, diz a operadora de telemarketing Bianca Sousa, 19, moradora do Jardim Tereza. Ela também reclama da falta de opções de cursos de qualificação para os jovens.
De acordo com o Seade, em Jandira, os empregos no comércio atacadista e varejista representam 21,25% e na Indústria 35,92%. O município tem 9,6 mil empresas ativas, de acordo com o Empresômetro, do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
A taxa de analfabetismo da cidade é de 4,44%. O PIB jandirense representa 0,15% do PIB estadual.

Orçamento
Com uma população de 120.177 habitantes, de acordo com o IBGE, o orçamento do município para este ano é de R$ 318 milhões, ou pouco mais de R$ 2,6 mil por morador. Para efeito de comparação, na vizinha Barueri o orçamento per capita ultrapassa os R$ 9,6 mil.

Mães dependem de vaga em creche para trabalhar

Para as mães, a procura por emprego também depende de ter um local para deixar os filhos. Esse é drama de Andressa Cunha, 30, mãe solteira, desempregada e moradora do Jardim Europa. Ela conta que perdeu o prazo de inscrição em setembro para conseguir uma vaga na creche para sua filha.
“Me senti culpada por ter perdido o prazo, mas sou mãe de primeira viagem e recententemente houve a inauguração de três creches próximas a região central e mesmo assim não tem vaga”, lamenta.
Jandira têm 38 unidades escolares, 16 creches que atendem 2.007 crianças. Na Secretaria de Educação, Andressa foi orientada a ficar na fila de espera, aguardar o retorno das atividades para buscar vaga nas creches próximas à sua residência.
“Fico na expectativa de ter uma vaga na creche para poder conseguir um emprego, mas as atividades só retornam em fevereiro. Mesmo empregada, não tenho condições de pagar uma escola particular”, diz


“Fico na expectativa de ter uma vaga na creche para conseguir um emprego”.
Andressa Cunha, 30, moradora do Jardim Europa

Insegurança nas ruas 

Outro desafio da nova gestão é intensificar a atuação da Guarda Civil Municipal (GCM) e cobrar uma melhor atuação da Polícia Militar. “Não tem ronda na saída das empresas, escolas e ruas. Minha mãe foi assaltada no comércio dela e dentro do terminal também têm assaltos”, protesta a cabelereira Nayhara Fernandes de Medeiros, 22, moradora do Jardim Europa.
Em 2016, o levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, apontou que Jandira registrou 698 ocorrências de roubo e 598 furtos.

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