O Visão Oeste realiza série especial de reportagens sobre os desafios das novas gestões das cidades da região.

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William Galvão

Com localização privilegiada, próxima de rodovias importantes, Carapicuíba enfrenta dificuldades na geração de empregos e tem dificuldade para deixar de ser “cidade-dormitório”, como fornecedora de mão de obra para as cidades vizinhas mais ricas, como Osasco, Barueri e a Capital paulista.

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A auxiliar de enfermagem de 54 anos Fátima Elizabeth Cordeiro é uma das pessoas que buscaram emprego fora da cidade. Ela precisa atravessar Carapicuíba e Osasco para chegar até o trabalho. “Pego dois ônibus, quase vinte reais por dia”, diz. “Já trabalhei em hospitais daqui, mas são poucos e pagam menos. As oportunidades em São Paulo sempre são melhores”.

“Pego dois ônibus [para o trabalho], quase vinte reais por dia”. A auxiliar de enfermagem Fátima Elizabeth Cordeiro, 54, está entre os milhares de trabalhadores que precisam deixar a cidade em busca de emprego
No ranking de participação no Produto Interno Bruto (PIB), Carapicuíba fica na 186ª posição entre os mais de 5 mil municípios. A cidade contribui com R$ 4,7 milhões por ano, uma participação de 0,08% no PIB nacional.

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Além disso, caberá ao novo prefeito da cidade, Marcos Neves (PV), administrar o orçamento mais baixo da região: R$ 578 milhões previstos para este ano, apenas R$ 1,5 mil para ser investido por habitante, enquanto na vizinha Barueri, o orçamento per capita ultrapassa os R$ 9,6 mil.

Números
Com uma população de 385,5 mil habitantes, Carapicuíba tem taxa de 4,36% de analfabetismo e um grau de urbanização de 100%, o que contribui para a poluição, já que quase não existe área verde na cidade. A renda média per capita do município é de R$ 577,09, enquanto na região metropolitana a média é de R$ 948,09.

Precariedade na Saúde

Falta de médicos, demora para marcar consultas e atendimento no SAMU são principais problemas / Foto: William Galvão

Com orçamento para a Saúde de R$ 134 milhões, a administração municipal terá como desafio o serviço precário em alguns postos de saúde, falta de médicos e demora na marcação de consultas e atendimentos como o SAMU.

Outro empecilho é a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, que deveria ter sido entregue em 2011, e continua parada, embora esteja pronta.

Na quarta-feira, 11, um atropelamento na avenida Brasil, no Centro de Carapicuíba, esperou mais de uma hora pelo resgate.

De acordo com o taxista Anderson Oliveira, 35, “o acidente aconteceu às 13h40 e a vítima só foi removida às 15h”.

Ele conta que quando ligou no 192 não havia resgate disponível em Carapicuíba. “Foi preciso vir de Embu das Artes o Corpo de Bombeiros”.

Números 

Carapicuíba conta com três pronto socorros, 13 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), três Unidades de Saúde da Família (USF), um Centro de Especialidades Médicas, uma Casa do Adolescente e um Centro de Atendimento de Equoterapia.

Segundo o IBGE, o município tem 0,69 leitos para cada mil habitantes. Na Grande São Paulo o índice é de 1,14% por mil habitantes.

A insegurança de cada dia 

Embora a segurança pública seja uma competência, em grande parte, do governo estadual, o município intervém através de ações da Secretaria Municipal de Segurança Pública e da Guarda Municipal. A cidade registrou em 2016 mais de 3,5 mil roubos, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP).

O microempresário de 24 anos, Samuel Dantas, mora no bairro Parque Sampaio Vianna, onde já foi assaltado duas vezes. “O último assalto aconteceu no começo do ano, por volta das 23h, na rua da minha casa”, disse.

“Nos dois casos eram dois caras armados”. Em 2016, o município registrou ainda 641 roubos de veículo, 35 homicídios dolosos e, entre outros dados, dois latrocínios.

Vale lembrar o episódio de setembro de 2015, onde uma chacina vitimou quatro entregadores de pizza no bairro da Vila Cretti, dias após a maior chacina do estado naquele ano, em Osasco e Barueri, que matou 19 pessoas. À época, houve a suspeita de participação de policiais militares.

Montanhas de lixo são triste cenário

Lixo e entulho acumulado nas ruas é imagem comum na cidade / Foto: William Galvão

Demanda antiga da cidade, a coleta de lixo costuma ser falha. Nas ruas, não é difícil se deparar com montanhas de lixo acumulado. A prefeitura conta com poucos caminhões. Um Ecoponto foi instalado na Vila Municipal em 2012, mas já não existe mais.

“Em casa gente separa o lixo e dá para uma mulher [catadora] que mora no final da rua”. Rubia Basílio Silva, 56 Faltam opções de cultura e lazer
Embora haja um projeto, a coleta seletiva ainda não foi implantada. A solução encontrada por muitos moradores que querem reciclar reúne a falta de coleta seletiva e a baixa renda de grande parte da população carapicuibana.

“Em casa gente separa o lixo e dá para uma mulher [catadora] que mora no final da rua”, diz a professora Rubia Pacheco Silva, 56, moradora do bairro Vila Silviania. “A maioria das pessoas da minha rua faz isso. É um jeitinho de contribuir, já que não temos a coleta seletiva aqui. Ajudamos tanto na reciclagem quanto na renda de outra pessoa”.

Carência no acesso à cultura

Teatro Jorge Amado
raramente tem atividades

Carente de equipamentos públicos de promoção da cultura, muitos moradores de Carapicuíba buscam cidades vizinhas ou o Centro de São Paulo para encontrar atividades culturais como exposições, teatro e cinema, por exemplo.

“Carapicuíba tem potencial de produção cultural. Um caminho pode ser saber utilizar parques e praças públicas abandonados e também usar espaços que já temos como o Quintal Cultural e a Oca”. Filipe Rosa, 30, professor

A cidade possui um Teatro Municipal, o Jorge Amado, mas quase nunca tem programação. Para o professor Filipe Rosa, 30, “Carapicuíba tem potencial de produção cultural”. Para suprir a carência de espaços, ele sugere: “um caminho pode ser saber utilizar parques e praças públicas abandonados e também usar espaços que já temos, como o Quintal Cultural e a Oca”.

A cidade conta alguns parques e praças, sendo os mais famosos o Parque dos Paturis, no bairro Cohab V/Cohab II; parque Gabriel Chucre, localizado na vila Gustavo Correia, próximo ao Centro de Carapicuíba; Parque Aldeia de Carapicuíba; localizado no bairro Aldeia de Carapicuíba, que conta com um centro histórico, a Praça da Aldeia Jesuítica, fundado em 1580.

Comentários

2 COMENTÁRIOS

  1. Parque Gabriel chucre em Carapicuiba em degradação é enorme a falta de manutenção quadras de futebol todas deterioradas fora que vários usuários de drogas tanto faz de dia ou a noite usufrui do parque quando é que governos após as eleições vão olhar por isso.

  2. Qualidade da gestão pública deve ser algo contínuo, portanto, ao imaginar alguma mudança importante, o ideal é conversar com quem trabalha (TODOS) com a tarefa em questão e será diretamente afetado por elas.E Solicitar melhorias pelos mesmos.
    Feitos esses processos é hora de sugerir as soluções. Acompanhe nossas dicas:
    Quais iniciativas podem melhorar nossa cidade?
    Principais reclamações sobre o setor público é o excesso de burocracia. Melhorar isso com jovens,universitários,aposentados e outros.
    Fechar as contas desnecessárias(Gastos), Gerar renda com sustentabilidade e Método 5S.
    NÃO pode HAVER muito retrabalho EM TODAS AS PARTIÇÕES.Assim mais produtividade e menos custos.

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