Editorial: De volta para o passado

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Os fans da trilogia de ficção e aventura De volta para o futuro, transformada em ícone pop e símbolo da cultura nerd, comemoraram o último dia 21 de outubro. Foi a data na qual, no segundo filme, os protagonistas, Marty McFly e Doutor Brown, chegaram 30 anos no futuro, dirigindo uma máquina do tempo feita com um carro modelo DeLorean.

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Na vida real, o futuro previsto 30 anos antes pela produção hollywoodiana não se concretizou, com seus carros voadores, skates flutuantes, tênis que se amarram automaticamente e roupas que se auto ajustam ou se secam sozinhas.

E, embora tenhamos hoje recursos que o filme sequer imaginou — como a Internet e maquininhas ao alcance dos dedos que nos colocam em contato com qualquer lugar do mundo — de fato se existissem McFly e Brown, levariam um susto com o futuro. Principalmente se desembarcassem no Brasil.

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O que iriam pensar ao encontrarem em tramitação no Congresso um projeto de lei que criminaliza uma tal “heterofobia”? Um deboche à luta pela regulamentação da união civil de pessoas do mesmo sexo e contra a discriminação de gênero.

Absurdo de autoria de ninguém menos que o próprio presidente da Câmara dos Deputados, o Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sim, o religioso (ao menos assim ele se apresenta), defensor da moral e dos bons costumes, que segundo o ministério público da Suíça, é detentor de contas milionárias no paraíso fiscal, usadas para guardar dinheiro de propina.

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Os protagonistas também se assustariam com a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça, do projeto que pune a venda da pílula do dia seguinte, dificulta a profilaxia da gravidez para vítimas de estupro e ainda relativiza o entendimento do que se considera estupro: vira algo que causa dano, não basta ser sexo sem consentimento.
Pois que o nome da aventura provavelmente teria de mudar para De volta para o passado. Ou alguma coisa ainda pior.

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