Editorial – Eduardo Cunha, o morto-vivo da política

0

É estarrecedora a situação à qual o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conduziu o país. Em poucas semanas, com a descoberta de contas secretas milionárias na Suíça que o beneficiariam e a seus familiares, desmoronou sua imagem de bom moço, “contrário a tudo que está aí”, junto com sua meteórica escalada anti-governo.

publicidade

O pupilo da oposição (ele era a menina dos olhos do PSDB nos planos pró impeachment), com a desfaçatez de quem não responde à pergunta óbvia “e as contas na Suíça, deputado?”, vai se colocando no olho de um furacão. Um passo para um lado ou para o outro e será levado pelo turbilhão. Enquanto isso, sequestra um país.

Se acatar um dos pedidos de impeachment, deixa de ter valor para a oposição que sempre o apoiou abertamente. Ao mesmo tempo vira inimigo de seu próprio partido, o PMDB, base aliada. Se recusar a pauta, torna-se descartável, deixa de ser uma pedra no caminho do governo e ou de ter qualquer utilidade para a oposição. Vira alvo fácil para as investigações.

publicidade

E vai ficando ainda mais desesperadora sua permanência na casa: transformou-se numa espécie de zumbi, portador de alguma doença infecto-contagiosa, onde sai ganhando quem mais se afasta dele, ou consegue mostrar que o adversário é quem sempre esteve ao seu lado.

Enquanto os rumos do país ficam nas mãos de um morto-vivo da política, perdem a democracia e os brasileiros. E, ao que tudo indica, nenhum desfecho será rápido: o presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, José Carlos Araújo (PSD-BA), já avisou que o processo de cassação de Cunha não terá andamento antes do dia 27 de outubro, por força regimental. O pedido de cassação, feito por PSOL e Rede, já começou a tramitar no conselho.

publicidade

Comentários